Resenha|| Manhãs esquecidas


"A manhã significa que você está vivo mais um dia. É mais um dia para sorrir, mais um dia para agradecer, mais um dia para dizer "Eu amo você."

Título: Manhãs esquecidas
Autora: Bianca Brighet
Editora: Coerência
Páginas: 94 / Ano: 2018
Onde Comprar: Amazon /  Coerência / Saraiva

Clarisse embarca em sua mais nova jornada de emprego, em que teria de cuidar de uma doce senhora.
Ao decorrer do tempo, a cuidadora encontra um diário curioso no qual uma jovem garota misteriosa relata com detalhes a vida de Elizabeth, sua avó, uma mulher conhecida na região por ser muito bondosa. Infelizmente, o destino dela fora traçado pela terrível doença nomeada Alzheimer.
Buscando respostas pelo fato trágico e, enfrentando aos poucos o esquecimento de sua existência na mente da amada avó, a jovem, que prefere não se identificar inicialmente, se depara com diversas situações que lhe deixam atordoada, e que provam que ela nunca esteve sozinha. Mas, para isso, ela teve de aprender que sua fé não fora em vão, e que cada fato ocorrera a favor de um propósito..


Manhãs esquecidas conta a história de uma desconhecida, sim, é mais ou menos isso. Começamos a história conhecendo Clarisse, uma garota que está se preparando para o seu primeiro dia de trabalho. Em meio a tanta dificuldade para encontrar emprego ela sabe que não pode deixar a oportunidade passar por isso está cada vez mais ansiosa. 

No local de trabalho ela conhece Lourdes, a filha de uma simpática senhora de quem Clarisse passará a tomar conta. Dona Cameron tem Alzheimer, a doença do esquecimento. Aos poucos ela faz com que o doente esqueça sua rotina, sua vida, as pessoas que ama... 

Iniciado o dia e tendo que se adaptar as necessidades do seu trabalho Clarice está satisfeita com o que vem fazendo e aprendendo no convívio com dona Cameron, e enquanto a simpática senhorita tira um cochilo, ela decide arrumar seus armários, e é ai que ela encontra um livro, quase um diário, que conta uma historia linda, triste e real.

O livro relata a história de uma mulher forte, que vive sua vida entre o trabalho, o cuidado das duas netas e a ajuda ao próximo, essa senhora tão forte, começa a perceber que aos poucos está esquecendo coisas rotineiras da sua vida. Preocupada, ela alerta as netas sobre a situação e ambas se comprometem a ajuda-la. Mas quando descobrem que o problema é um pouco mais sério do que se imaginava uma das netas decide ir embora, deixando para a mais nova, ainda menor, de idade a responsabilidade pela casa e pelos cuidados da avó.

Durante a leitura, acompanhamos os estágios da doença e quanto ela atinge paciente e familiares. Quão doloroso é ver quem a gente ama esquecer da gente, olhar nos nossos olhos e nos ver como estranhos. Como é triste para o paciente esquecer sua vida, sua família e coisas tão rotineiras como ir ao banheiro, por exemplo. 

Enquanto essa jovem neta luta para poder cuidar da sua avó com todo amor que ela merece, vemos a importância da fé a da ajuda do próximo, pois foi só assim que ela conseguiu enfrentar essa árdua batalha até o fim, até o dia em que a doença vence a sua avó de uma vez por todas. 

Passados os anos, aquela amorosa neta continuou sua vida. Ela estudou, se formou, casou, construiu a uma família e um dia, quando estava indo para casa ela se perdeu...


"Seja amor. Espalhe amor. Crie amor. E acima de tudo, acima de qualquer dificuldade: ame! Pois, almas iluminadas nem a eternidade conseguirá apagar. p. 40"

Manhãs esquecidas é uma adaptação de uma história real, de uma família que vivenciou todos os estágios de uma doença silenciosa, porém incansável e sem cura. É impossível ler essa história e não se emocionar com a narração. Não se colocar no lugar do doente ou dos familiares e pensar "e se fosse eu?" 

Apesar de curta, essa é uma história que nos fascina, tanto pelo tema como pela forma brilhante que a autora a desenvolveu. Se você curte história curta e intensas, reais, lindas e emocionante esse livro é para você. Vem conhecer um pouco mais desse vilão chamado Alzheimer. Tenho certeza de que depois dessa leitura, você vai passar a olhar a vida com outros olhos, em especial as manhãs, belos presentes que Deus nos dá como mais uma oportunidade para viver, amar e ser feliz ao lado das pessoas que amamos. 

A capa é belíssima e a diagramação e revisão um encanto. Achei apenas um pequeno erro de revisão que não tira em nada o brilho dessa obra. Um belo trabalho da Editora Coerência e autora Bianca Brighet, que eu li e recomendo!

"E se eu tiver Alzheimer e me esquecer de você...
Eu vou lembrar-lhe quem eu sou, todos os dias."

Nenhum comentário

Tecnologia do Blogger.