Resenha|| Uma dobra no tempo


"Se um dia antes alguém tivesse lhe dito que ela, Meg, a menina dos dentes tortos, a míope, a desastrada, ia pegar na mão de um garoto para lhe dar carinho e força, ainda mais um menino popular e importante como Calvin, esta noção estaria além do seu entendimento. Mas, naquele momento, lhe parecia bastante natural querer ajudar e proteger Calvin, do mesmo modo como ela fazia com Charles Wallace.”

Título: Uma dobra no tempo
Autor: Madeleine L'Engle
Editora: Harper Collins Brasil
Páginas: 240
Onde comprar: amazon

Era uma noite escura e tempestuosa; a jovem Meg Murry e seu irmão mais novo, Charles Wallace, descem para fazer um lanche tardio quando recebem a visita de uma figura muito peculiar.
“Noites loucas são a minha glória”, diz a estranha misteriosa. “Foi só uma lufada que me pegou de jeito e me tirou da rota. Descansarei um pouco e seguirei meu rumo. Por falar em rumos, meu doce, saiba que o tesserato existe, sim.”
O que seria um tesserato? O pai de Meg bem andava experimentando com a quinta dimensão quando desapareceu misteriosamente... Agora, com a ajuda de três criaturas muito peculiares, chegou o momento de Meg, seu amigo Calvin e Charles Wallace partirem em uma jornada para resgatá-lo. Uma jornada perigosa pelo tempo e o espaço.
Uma dobra no tempo é uma aventura clássica, que serviu de inspiração para os mestres da fantasia e da ficção científica do mundo, agora adaptada para os cinemas pela Disney. Junte-se à família Murray nesta jornada, entre criaturas fantásticas e novos mundos jamais imaginados.


Havia algum tempo em que não me perdia em livros de ficção cientifica com uma pegada mais juvenil, que toque o meu coração de adulta. Uma dobra no tempo tem uma leitura ora leve ora atenuada, no qual o leitor se transporta para multiversos, numa missão especifica: encontrar o pai de Meg e Charles, o Sr. Murry. Como sempre, a Harper Collins Brasil lança seus livros no hype em que os leitores vão a loucura para ler o livro, antes do filme. Você terá que correr para não ser dobrado pelo tempo!

"Margaret Murry estava no seu quarto, que ficava no sótão, enrolada na velha colcha de retalhos, sentada ao pé da cama e assistindo às árvores que se agitavam, açoitadas pelo vento. Por trás das árvores, nuvens frenéticas cruzavam o céu. De quando em quando via-se lua, que criava sombras espectrais a correr pelo assoalho." p. 9
Meg e Charles são irmãos e percebem que já fazia meses que o seu pai não aparecia. Em busca de respostas, eles terão ajuda de Calvin para descobrir mais sobre esse "sumiço".  Pelas breves perguntas respondidas o seu pai estaria perdido no espaço, só que Meg é muito esperta para acreditar que o Sr. Murry os abandonaria. Para entender melhor essa confusão e desafiar as leis da física, esses três jovens tem um empurrãozinho de criaturas sobrenaturais: as senhoras Quequeé, a Quem e a Qual. Juntos eles vão encontrar outros planetas, adentrar em diferentes galáxias para pegar todas as pistas deixadas pelo Sr. Murry.

O livro pode parecer confuso no inicio, mas com o passar dos capítulos percebemos que a tal confusão é necessária. A Madeleine usa esse tipo de recurso para que o leitor tenha sua cabeça bagunçada assim como as crianças, no inicio. À medida que as crianças assimilam as pistas com as perguntas, antes questionadas, eles juntam as peças desse quebra-cabeça. 

"Foi uma sombra que caiu sobre a lua ou a lua simplesmente se apagou, extinta de forma tão abruta e completa como uma vela? Ainda se ouvia o barulho das folhas, um farfalhar tão aterrorizante quanto aterrorizado. Toda luz desapareceu. A treva era integral. De repente o vento se foi, assim como todo som [...]." p. 61.
O trio de personagens compõem uma base de sucesso nessa fantasia, principalmente quando eles descobrem que além do seu mundo, existem outros mundos. Cada ser que nele habita tem a sua peculiaridade, de forma que as crianças aprendem com outras culturas e nós também! É válido ressaltar que nesse enredo temos personagens com defeitos e qualidades. Por serem amigos, cada um equilibra o que falta no outro para mostrar que não somos uma ilha, para viver isolados, mas precisamos uns dos outros para chegar a algum lugar; nesse caso, eles queriam encontrar o Sr. Murry.

Dentro dos elementos composicionais do gênero, os assuntos mais cotados na obra são: ciência, intertextualidade com outros textos como a bíblia e lições fantásticas que encontramos em fábulas como: amor, amizade, medo, paixão. etc., Apesar de beber em pontos que envolvem religião, a obra não se propõe a manifestar nenhuma crença. Ao contrário, ela só nos mostra que é possível ciência e religião conviverem juntas para descobrir que o universo não tem limites, como pensávamos. 

Outro elemento que se mostra forte em Uma dobra no Tempo é a dualidade entre o passado, o presente e o futuro. Uma vez que eles viajam entre mundos, se deparam com civilizações mais antigas e mais avançadas, no quesito tecnologia; encaixando a obra no gênero aventura também. Nesse ponto o livro ganha um ritmo e logo nos deparamos com o desfecho. Ambientação e diagramação convergem para tornar a leitura ainda mais confortável.

Um misto de magia, aventura e realidade para compor uma obra fantástica como Uma dobra no tempo merece ser lida por adolescentes e adultos, mesmo que o seu público seja mais infantil é viável que eles tenham um dado conhecimento de mundo para compreender elementos chaves da obra. Ora, não podemos duvidar que as crianças são mais inteligentes do que pensamos! Talvez seja por isso que a Meg e o Charles tenham superado nossas expectativas.





Um comentário:

  1. Oi Amora,
    Como sempre, sua resenha está encantadora ao extremo. Eu ainda não tive a oportunidade de ler esse livro, mas me arrependo de ficar adiando. Tinha ficado bem preocupada com o começo confuso que você citou, mas fiquei mais calma por compreender que tudo isso é necessário para a construção da história. Como sempre, você arrasou na resenha e na foto!
    Achei esse trailer incrível e vou ali correr para ler o livro, scrr!
    Beijos

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