Resenha || Um milênio para amanhecer


“Oh, não, amor! Você não está só. Você está se vigiando, mas você é tão injusto. Sua cabeça está toda confusa, mas seu pudesse ao menos fazê-lo se importar.”



Título: Um Milênio para Amanhecer
Autor: Anne Venditti
Editora: Giostri
Ano: 2017
Páginas: 256

 Marvin DeMoore foi levado à Califórnia por seu padrinho aos 2 anos de idade e levado de volta à Inglaterra aos 5, sob circunstâncias desconhecidas. Filho de uma prostituta inglesa, é um homem de personalidade instável, ateu, amante de Shakespeare e pintura. Retorna à Califórnia aos 18 anos, atrás do chefe de polícia McMegory, cliente de sua mãe, que o molestou do 5 aos 15 anos, com quem começa a trabalhar depois de adulto, gerando suspeitas. Na virada do milênio, vê-se engolido por suspeitas de autoria de uma série de crimes que aparentemente não cometeu, os quais têm início após conhecer Jaak Jean, filha do magnata Eliot Lewis, dono da empresa de tecnologia Microtec. Tendo paralelamente ao cargo de investigador de polícia um trabalho sobre o qual ninguém sabe de muita coisa, precisa manter a polícia longe de seu encalço a fim de preservar o segredo sobre suas atividades sigilosas, enquanto tenta administrar sua obsessão pela argentina Clara Pellegrini, sua amiga de infância.


  
     
Marvin DeMoore foi molestado dos 5 aos 15 anos pelo cliente de sua mãe. Agora, na fase adulta, Marvin trabalha ao lado do homem que mais odeia no mundo. Elenunca escondeu sua verdadeira intenção ao se aproximar do chefe de polícia, McMegory, seu molestador. Com um passado sombrio, filho de mãe prostitua e pai desconhecido, a única coisa boa que Marvin tinha era amizade da sua amiga Clara Pellegrini.

Eliot Lewis é um magnata poderoso, dono de uma grande empresa de Microtecnologia, casado com Laura, que possui problemas psicológicos fazendo-a tomar atitudes irreversíveis. Tiveram uma filha chamada Jaak.

“Estava firmado o Império Lewis. Dentro dele, depois de dezenove anos do nascimento de Jaak, nasceria Ludwig Lewis.”
Sempre pronto para defender o que é seu, Eliot não tem limites e não mostra um pingo de compaixão. Quem se meter em seu caminho, com certeza estará cavando a própria cova. Jaak, filha de Eliot foge com seu irmão ainda bebê, e seu destino se cruza com o de Marvin. Para proteger o rapaz, ela mente sobre sua verdadeira identidade e a do seu irmão mais novo. Mas, será que ela conseguirá esconder seu segredo por muito tempo, afinal, Marvin é policial e pode descobrir muita coisa, até mesmo o envolvimento do seu pai em um grande atentado, que, se viesse à tona desmoronaria o Império Lewis.

O rapaz está disposto a acabar com o homem que o molestou, mas, o jogo entre caça e caçador é mudado depois que vários crimes acontecem com a chegada de Jaak. Agora, Marvin precisa provar que não é o autor deles.

Marvin foi aquele personagem que me despertou compaixão. Com sua infância difícil, e presente conturbado ele se torna vítima de um sistema que não lhe proporciona justiça. É imprescindível não enxergar que seu relacionamento com sua mãe era a melhor, mas ele a amava.
“Seu primeiro instinto ao ouvir sobre o amor de sua mãe foi o de protegê-la...- Eu não vou abandoná-la, Grazielle.”
Grazielle talvez só enxergasse o filho como um investimento.

“Virou um belo gostosão e atrai pai de família mais que uma putinha. Olhos tão azuis que chegam a ser inadmissíveis, atlético, bonitão, cheiroso e limpo. Marvin virou parada obrigatória. Ponto turístico de Londres. Minha obra de arte.”
Sua vida era como um fardo de palhas secas, com a mínima faísca, tudo se transformava em um grande incêndio.

Ao se aproximar do McMegory o Marvin nunca escondeu que queria acabar com a vida dele.

“- Você vai me ensinar tudo o que sabe – disse DeMoore – Tudo o que aprendeu como fuzileiro naval, tudo o que aprendeu na academia de polícia. Estou estudando em Stanford, mas virei para cá aos fins de semana. Você vai me ensinar essa frieza, essa falta de humanidade que fazem de você esse animal.
McMegory deu um treinamento duro a Marvin, o privando de várias coisas, comida e descanso por 48 horas em 10 meses.

“Aos sábados à noite, McMegory levava o garoto a um quarto de motel sujo, sentava-o numa cadeira de frente para um aparelho de televisão, conectava um videocassete e o fazia a assistir vídeos amadores de todas as espécies de tortura, parado em pé as suas costas, segurando sua cabeça virada para a tela.”
Marvin se tornou um adulto cheio de ressentimentos e com segredos a guardar. Guardou também seu amor ou obsessão por sua amiga de infância Clara Pellegrini, mas essa obsessão seria revelada e de longe seria como Marvin havia planejado. Ele é movido pelo ódio que tem por McMegory e por sua obsessão por Clara.

“Às vezes, chego a pensar que só sobrevivo à base de ódio que sinto dele. Isso me consome, mas vale cada minuto.”
Esse livro mexeu muito com meu psicológico. O início foi um pouco confuso, com vários acontecimentos soltos. Mas, à medida que avançamos na leitura, iremos perceber que muita coisa faz sentido.

É uma leitura que se você não prestar atenção aos detalhes, com certeza terá dificuldade em compreender a construção das personagens. Percebemos que a autora não trabalha com clichês, pelo contrário, somos levados a uma trama super bem desenvolvida e cheia de plot twists.

Os personagens secundários também são muito bem desenvolvidos. Em diálogos com a autora, eu pude expor minhas hipóteses sobre quem estaria por trás dos crimes e sobre outras dúvidas que me fizeram compreender melhor a história. Um Milênio para Amanhecer é um thriller impactante que terminei em menos de 48 horas. Fiquei bastante satisfeito com o final, porque não foi nada do que eu estava pensando, e quando não é nada do que a gente pensa, para mim, isso é maravilhoso.

“Eu não sei o que há dentro de mim e não quero trazer à tona.” 

Espero que tenham gostando da resenha e se gostou, corra agora para adquirir essa obra maravilhosa!

3 comentários:

  1. Eu amei a resenha intercalada com os trechos do livro. Eu já li Um Milênio Para Amanhecer e senti uma sensação maravilhosa de saudade dessa leitura incrível lendo sua resenha.

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    1. Sim! O Cley soube dosar muito bem e intercalar os quotes. Ele sabe bem escrever dessa forma. É melhor visualmente para os leitores, não é?

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  2. Fico muito feliz que tenha gostado, Sthefane! É um livro maravilhoso mesmo.

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