Resenha|| Garota em Pedaços






Título: Garota em Pedaços
Autora: Kathleen Glasgow
Editora: Planeta
Páginas: 384

Além de enfrentar anos de bullying na escola, Charlotte Davis perde o pai e a melhor amiga, precisando então lidar com essa dor e com as consequências do Transtorno do Controle do Impulso – um distúrbio que leva as pessoas a se automutilarem. “Viver não é fácil. ” Quando o plano de saúde de sua mãe suspende seu tratamento numa clínica psiquiátrica – para onde foi após se cortar até quase ficar sem vida –, Charlotte Davis troca a gelada Minneapolis pela ensolarada Tucson, no Arizona (EUA), na tentativa de superar seus medos e decepções. Apesar do esforço em acertar, nessa nova fase da vida ela acaba se envolvendo com uma série de tipos não muito inspiradores. Cansada de se alimentar do sofrimento, a jovem se imbui de uma enorme força de vontade e decide viver e não mais sobreviver. Para fugir do círculo vicioso da dor, Charlotte usa seu talento para o desenho e foca em algo produtivo, embarcando de cabeça no mundo das artes. Esse é o caminho que ela traça em busca da cura para as feridas deixadas por suas perdas e os cortes profundos e reais que imprimiu em seu corpo. 
  

Charlotte Davis é uma garota de 17 anos que após uma tentativa de suicídio é deixada na porta de um hospital, com o corpo repleto de sangue e a mente atordoada. Depois que seus ferimentos são tratados, ela é enviada para um hospital psiquiátrico que é especializado em auto-mutilação para que possa tratar também da sua mente. Lá, ela entra em contato com outras garotas que passaram pelo mesmo problema, participa de grupos de apoio, sessões de terapia e recebe vários cuidados médicos. Ela começa a ter vontade de melhorar e segue bem os conselhos médicos. Entretanto, um certo dia, Charlie recebe a notícia de que o plano de saúde da sua mãe não pode mais cobrir as despesas na clínica, então ela é obrigada a ir embora.

Todo mundo tem esse momento, eu acho, o momento em que uma coisa tão... crucial acontece e que parte seu ser em pedacinhos. E aí, você tem que parar. Por um tempo, para recolher os pedaços. E demora tanto, não para juntá-los novamente, mas para montá-los de um jeito novo.
Sem ter outra opção, Charlotte é entregue a sua mãe e ela começa a se preocupar em ter que morar com a sua mãe outra vez, pois as duas não têm um bom relacionamento. Mas, assim como Charlie, a mãe não quer reativar esse contato, então deixa a filha livre para ir em busca da sua própria vida. Sendo assim, ela recebe ajuda de um amigo e viaja até outro estado, um local bem quente e úmido.

Porque quando digo "tristeza", o que quero mesmo dizer é "um buraco negro" dentro de mim cheio de pregos e pedra e vidro quebrado e de palavras que não tenho mais.
Não é fácil para Charlie se virar sozinha em um local novo. Depois de alguns dias, ela consegue arrumar um emprego como lavadora de louças em um café. Nesse local de trabalho, ela conhece Riley, um cara de 27 anos que aparenta ser bastante problemático devido aos seus vícios. Ele logo chama atenção de Charlie, pois ela sente uma faísca incontrolável perto dele e os dois vão tentando se apoiar um no outro mas não é exatamente isso que acontece. Charlie começa então a ir se afundando aos poucos nessa nova vida. A partir desse contato com Riley, se torna cada vez mais difícil seguir as regras aprendidas no hospital.

Esse coração partido - diz ele - E não estou falando do que aconteceu com aquele rapaz, porque essas coisas vêm e vão, é uma das lições dolorosas que aprendemos na vida. Acho que você está tendo um tipo diferente de coração partido. Talvez coração partido por estar no mundo quando não sabe como estar nele.
O livro é narrado na voz de Charlie e vamos sentindo na nossa pele tudo o que ela passou e tudo o que ela sentiu. Ao longo do livro, Charlie vai contando a sua história e vamos nos emocionando com o seu passado e acompanhando o quanto é difícil o seu presente, o quanto é difícil lutar contra o desejo de se cortar, o quanto é difícil estar sozinha em uma cidade nova e desconhecida e o quanto, acima de tudo, é difícil levantar da cama e lutar para se erguer todos os dias.

A história de Charlie me emocionou muito, me colocou no seu lugar e me fez refletir muito sobre várias coisas da minha vida e também aqueles que estão ao meu redor. O livro nos ensina sobre superação, sobre tentar várias vezes antes de desistir. Sobre o poder de ter algo como válvula de escape, seja a arte, os livros, a música ou a escrita: é sempre importante termos algo a nos apegar. Também mostrou a importância da amizade, o quanto é importante ter alguém do seu lado que te ajude a não afundar, que possa te ouvir quando você precisar. É um livro tocante e profundo que deve ser lido e amado por todos.
Charlie encontra sua voz e seu consolo nos desenhos. Eu encontro os meus na escrita. Qual o seu consolo? Você sabe? Encontre-o e não pare nunca de fazê-lo.

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