RESENHA || A TEIA DA ARANHA

Título: A Teia da Aranha Autora: Agatha Christie
 Editora: L&PM Pocket Ano: 2017| Páginas: 173
   Avaliação:       

Como foi que o corpo do desagradável Oliver Costello apareceu na sala da casa de campo do distinto casal Henry e Clarissa Hailsham-Brown? A chuvosa tarde de março decorria tranqüila, e nenhuma das pessoas lá presentes parecia ter interesse no crime. Acreditando tratar-se de um acidente, Clarissa decide esconder o cadáver. Está às voltas com a penosa tarefa quando surge o inspetor Lord, um diligente policial que recebeu um telefonema denunciando o homicídio.Este é o romance – até hoje inédito no Brasil – que o escritor Charles Osborne adaptou a partir da peça de comédia e mistério homônima de Agatha Christie, de 1954. Bem-humorado, com um enredo repleto de truques e reviravoltas, 'A teia da Aranha' fará a delícia dos fãs da Rainha do Crime.
Bons livros são reconhecidos pela qualidade, de uma boa história, um bom designer, escrita e/ou criatividade; e muitas vezes acaba por fazer sucesso uma autora e generalizar o seu nome, e assim, generalizar também todas as suas obras como talentosas. Mas convenhamos, que existem autores que simplesmente são realmente reconhecidos por cada uma de suas obras que atraem um brilho sem ser ofuscado ou ofuscar outro, cada um com um "G" de genialidade que você se pergunta de que cérebro toda aquela teia surgiu. E é assim que inicio falando de A Teia da Aranha, de Agatha Christie.


Vamos a premissa: Clarissa Hailsham-Brown, casada com Henry, e madrasta de Pippa, mora com a sua família em uma casa alugada no interior de Kent; um lugar que mesmo em um dia chuvoso em suas colinas, não deixa hóspedes a entediarem-se, ainda mais quando tem a tão bem humorada Clarissa como anfitriã, conhecida por suas mentiras convincentes, feitas com tamanha naturalidade, que as pessoa já não sabem mais diferenciar uma coisa de outra, se devem levar verdadeiramente a sério ou não.

Tendo seus hóspedes -  três ao total - saído para jogar golfe e posteriormente ido jantar, Clarissa se vê sozinha na mansão após o seu marido ter saído também, para negócios secretos de trabalho, sendo ele um tão conceituado diplomata. Logo, ele, um homem íntegro e respeitável, iria buscar o "trabalho" e levá-lo para um reunião secreta em casa, e nesse meio tempo, era necessário que Clarissa deixasse tudo organizado para que esse encontro acontecesse nos conformes.

No entanto, ao ir levar sanduíches até a sala da casa de campo do casal, Clarissa acaba tropeçando no corpo de Oliver Costello, morto e caído atrás de seu sofá. Desse modo, tendo a mulher muitos motivos para esconder o corpo do rapaz, que anteriormente, a tarde, esteve em sua casa para chantageá-la (aparentemente), a mulher decide "livrar-se" do corpo para não prejudicar o marido, assim como pessoas próximas, contando com a ajuda de seus três hóspedes para solucionar a alternativa... até que uma denuncia anônima é feita, e a polícia vai parar na sua casa, formando uma verdadeira teia de aranha para encontrarmos as respostas.

Encontrei nesse terceiro livro da autora que li, mais do que a genialidade nata e recorrente dos outros livros, mas um humor que não tinha notado. A personagem, Clarissa, é bem humorada, cheia de histórias e mentiras, e passa a dificultar a abordagem dos inspetores com suas variadas versões, que mesmo tendo apresentado uma verdadeira, não era pelos outros acreditada. 

Então, como fará Clarissa para contar a verdade e fazê-los acreditarem? Como encontrará as respostas? Afinal, quem realmente matou Oliver? Por que? E o que ele estava fazendo em sua casa? Mas tão importante quanto: como tudo isso vai se desenrolar, antes que seu marido retorne para casa com a sua visita politicamente secreta?

Além da personagem, que ajudou muito na leitura, a narrativa é instigante, e o livro é lido em horas, rapidinho! Além disso, foi uma bela abordagem o nome do livro, visto que é realmente uma teia de aranha com todas as histórias contadas pelos amigos de Clarissa, e por ela, durante a investigação, e como as respostas vão aparecendo através das interligações! (O bom humor de Ágatha fez-se presente também em uma citação a um de seus livros: O Caso dos Dez Negrinhos /  E Não Sobrou Nenhum.)
- Eu chamaria mais de uma eliminação. Não creio que o senhor tivesse nenhum motivo para dar fim em Oliver Costello. Sobram assim, três pessoas.
- Isso está começando a parecer uma variante de O Caso dos Dez Negrinhos - comentou sor Rowland, sorrindo.
É realmente uma genialidade danada a de Ágatha! Estava convicta de quem era o assassino, já que ele era apresentado no inicio do livro, mas essa mulher sabe como dar uma rasteira(!) e só descobri quem era realmente o assassino umas cinco linhas antes de ser oficializada a descoberta, e ainda assim, me senti a pessoa mais inteligente do mundo! Incrível como tudo é tão bem montado, deixando pistas ao longo do livro, que depois você fala "Meu Deus, como não percebi isso antes!" e fica com vontade de reler só pra ver como tudo estava bem ali, debaixo do seu nariz.

Enfim, é um livro brilhante que vale a pena ser lido, por aqueles que querem se surpreender, se divertir com a história e personagens, com uma narrativa muito bem escrita; e com um mistério que Ágatha tem a nos apresentar com tamanha desenvoltura e que pode ser lido em uma tarde!

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