AMIGA ÍNTIMA DAS CRÔNICAS || BEM - ME - QUER. MAL - ME - QUER.

(imagem retirada da internet) 

Certo dia, no silêncio ensurdecedor do meu eu interior me pego presa junto aos devaneio que tanto me assombram desde que minha vida ficou aos pedaços. Remoo lembranças, cutuco feridas, idealizo expectativas que  sei que nunca chegarão a acontecer, a não ser em algum sonho por ai, se é que ainda posso sonhar. 


Como pode? Muitas das vezes que estamos no ápice da felicidade, com a certeza de que nada nem ninguém pode te tomar aquele sentimento que exala até mesmo pelo olhar, vem a vida e te dá a pior rasteira de todas. 

Chega aquele certo ponto da existência que o próprio interior nos obriga a não sentir prazer naquilo que gostamos. A não sorrir, mesmo com o mínimo de felicidade que seja. A não nos apegar às pessoas que nos fazem bem, e me indago: quanto pode custar ser feliz? 

Mesmo não querendo que seja assim, a nostalgia vem para acabar com tudo que consegui superar nos últimos dias. As lembranças insistem em interromper os poucos momentos agradáveis que venho tendo nos últimos meses. A incompreensão me mostra, a cada dia, que o mundo la fora não está interessado se você está bem ou não. O que importa é seguir o fluxo e sempre cumprir com suas obrigações. Obrigações estas que sempre vem abarrotadas de julgamentos, de classificações. Independente de estar bem com aquilo, FAÇA! LUTE! SUPERE! PARE! NÃO SE ABALE! NÃO FRAQUEJE!

Nunca imaginei que o modo imperativo pudesse ser ativado em minha vida sem ao menos saberem se pedi por aquilo. Sinto que cada vez mais me afogo em tantos desgostos e fico na espera de algo poder me tirar desta submersão que nem eu descobri ainda como sair.

A falta de reciprocidade espalha tudo aquilo que, com muito esforço, consegui colocar no lugar. Ouvir que "você só está assim porque quer", arranca, uma a uma, as pétalas da flor que no meu caso não tem mais a parte do 'bem-me-quer'. 

Nunca acreditei muito em simpatias ou superstições, mas mesmo não acreditando, alguma coisa, bem la no fundo, despertava aquela pontinha de dúvida do 'e se...'

Agora suponho que tudo está virado de cabeça para baixo por, as vezes, ter trapaceado com as simpatias e procurado uma flor com números ímpares de pétalas para sempre 'o bem me querer'. Agora restou o 'mal me quer'. 

Sei que algum dia o verbo SUPERAR irá realmente significar uma 'ação' em minha existência, mas até lá o jeito é ir esvaziando minha vida aos pouquinhos e deixando entrar no coração somente aquilo que seja leve de carregar. Afinal, o peso das lembranças já é demais para mim

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