RESENHA || O COLECIONADOR DE OSSOS




                              Título: O Colecionador de Ossos | Autor: Jeffery Deaver | Editora: Best Seller

                                                    Páginas: 457| Ano: 462
                                                

Avaliação: 
Lincoln Rhyme é um criminologista brilhante, um gênio da investigação médica forense. Mas sua carreira é brutalmente interrompida por um acidente que o deixa tetraplégico, preso a uma cama. Seu isolamento do mundo termina quando um assassino começa a espalhar vítimas mutiladas pela cidade de Nova York: Rhyme é o único que pode detê-lo. Com a ajuda da bela detetive Amelia Sachs, eles tentam desvendar o labirinto de pistas para evitar o próximo crime hediondo do Colecionador de Ossos. Uma dupla que se completa e brilha neste thriller inteligente e empolgante que foi levado às telas em 1999 sob a direção de Phillip Noyce, num filme estrelado por Denzel Washington e Angelina Jolie.

Nada mais natural do que pegar um táxi no aeroporto, ou até mesmo pela rua, dentre os meios de transporte; ou ir até a lavanderia, no térreo de seu apartamento; ou quem sabe, ficar em casa, tirar a roupa, vestir o seu roupão e ir tomar um banho relaxante após um dia daqueles. Talvez você não perceba, mas sempre tem alguém do outro lado. Ou pode haver. A questão é que você não sabe o "se", o "quando" nem "onde" haverá uma pessoa disposta a tamanhas atrocidade, para cometer vingança, por um prazer obscuro, traumas, ou todos esses juntos e mais alguns "motivos".

A primeira vítima: T.J. Colfax e o seu chefe, acabaram de chegar a Nova Iorque para a Conferência pela Paz Mundial promovida pelas Nações Unidas, que interferiria ainda mais no ritmo da cidade. Querendo apenas descansar após muita espera e agitação da viagem, ambos pegam um mesmo táxi, e são postos na linha de frente de um assassino: o Elemento Desconhecido 238, assim conhecido pelos detetives do departamento de investigações da polícia. Após deixar a primeira vítima soterrada, o chefe de TJ, morto por asfixia - enterrado vivo -, junto com pistas de onde ocorreria a possível morte de Colfax.

Em uma de suas patrulhas, a sua última, na radiopatrulha na polícia de NY, a policial Amelia Sachs é quem encontra o corpo da vítima. Tendo sido a primeira a entrar em contato, com a cena do crime, é arrastada para as investigações contra a sua vontade, pois, como dito, sendo a sua última ronda na radiopatrulha para iniciar trabalhos em Assuntos Públicos, ser uma detetive criminal era a última coisa que queria. Sachs agora será olhos, nariz, pernas e ouvidos do detetive aposentado Lincoln Rhyme.

Lincoln é uma criatura admirável; a infinidade de informações que esse homem possui arquivadas em sua mente chegam a ser assustadoras. Ele sofreu um acidente em sua última investigação criminal. Fraturou a vértebra C4 ao ser atingido por uma estrutura colunar no local e ficou tetraplégico. Assim, sendo, perdeu as esperanças quanto a desfrutar da vida, pois Rhyme era um detetive notável, metódico e brilhante que vivia para a investigação; após se aposentar tão jovem do departamento criminal e estando exausto de ter que lutar até mesmo pelas pequenas, simples e naturais ações que são para nós, como respirar, ele não enxerga outra saída para o fim de seu sofrimento além da eutanásia.

No entanto, como essa prática ainda não é legalizada, Rhyme demora muito a conseguir alguém que a pratique com ele, e quando finalmente consegue, a polícia bate à sua porta para lhe pedir ajuda em uma caso, pois um maníaco está assassinando quem o intercepta, e não promete parar até ser detido.


O livro é narrado em terceira pessoa, no qual a voz de Rhyme se faz presente. Rhyme e Sachs vão se unir como a cabeça e o corpo da operação, e serão tragados para a investigação que dependerão dos seus esforços, juntamente com o de uma equipe que será montada no apartamento de Rhyme. Entre envolvimentos do FBI, crises provocadas pela tetraplegia, cenas de crime danificadas, essa equipe fará o máximo para estar um passo à frente do colecionador, o que me deixou extasiada com a leitura!

Suspense policial não era o meu gênero predileto, exceto esse, que me fez querer ler mais uma vez e ainda ter um pouco mais de toda essa investigação criminal. Na obra nós percebemos o desenvolvimento levemente psicológico sobre alguns dos personagens, sendo um deles o próprio assassino, que dentre suas facetas de personalidade, aquela que procura vítimas para mutilar e matar, possui motivações embasadas em um passado traumático e em casos criminais, visto a devoção do colecionador a outro assassino. Além de um equilíbrio entre a recém formada dupla Rhyme-Sachs, que entre farpas, mau humor e um tato contraditório quanto a opiniões e postura, dão-se muito bem!

O que dá um toque diferencial à leitura, para quem gosta do estilo, são justamente os relatos de casos de James Schneider; também um serial que mutilava suas vítimas e tinha uma fascinação por ossos, alem de considerar natural e uma ajuda ao que fazia às vítimas. E são justamente estes relatos que nos darão um vislumbre sobre o nosso colecionador e a escolha de vítimas, locais de crime e modus operandi.
" A carne murcha e pode ser fraca". - ( escrevera o malfeitor, com mão implacável mas firme) - " O osso é a parte mais forte do corpo. Por mais velhos que sejamos na carne, somos sempre jovens no osso. É uma nobre meta a minha, e está além do meu alcance compreender por que alguém poderia contestá-la. Pratiquei um ato de bondade com todos eles. Eles, agora, são imortais. Eu os libertei. Eu os reduzi até o osso."
Tudo está bem conectado, o livro dispõem de uma carga informacional admirável que enriquece a leitura e o qualifica (embora seja meio suspeita a falar sobre, já que não tenho grandes fontes de comparação para suspense policial), além de personagens que são explorados, o que inclusive me deixou curiosa por saber sobre um futuro mais certo, como seguiriam suas vidas posto a finalização do livro.

Por outro lado, o que intriga o leitor e o instiga a querer ler são as dúvidas: quem é o colecionador de ossos? o que o motiva? por que a sua fascinação justamente pelos ossos? Rhyme, ele escolherá seguir com a eutanásia, ou estará disposto a procurar lutar pelo o que antes lhe guiava a vida? Sachs, como se sairá diante desse turbilhão ao qual foi arrastada sem querer? Mas como todos se sairão para estar a um passo à frente do colecionador com suas pistas deixadas, para que não haja mais vítimas de uma morte cruel e lenta?

Bem, preparem suas lanternas, peguem suas valises necessárias para processar as cenas de crime, pois eu recomendo essa leitura, não apenas para os já familiarizados ao gênero, mas àqueles que querem sentir-se correndo contra o tempo, junto com Sachs e Rhyme, mesmo estando muito bem acomodados.

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