RESENHA|| BOM DIA, VERÔNICA


Título: Bom dia, Verônica| Autora: Andrea Kilmore| Editora: Darkside Books
                                         Ano: 2016| Páginas: 256
                                                        
Avaliação: 
Onde comprar: Amazon/ Saraiva


Em "Bom dia, Verônica", acompanhamos a secretária da polícia Verônica Torres, que, na mesma semana, presencia de forma chocante o suicídio de uma jovem e recebe uma ligação anônima de uma mulher desesperada clamando por sua vida. Com sua habilidade e sua determinação, ela vê a oportunidade que sempre quis para mostrar sua competência investigativa e decide mergulhar sozinha nos dois casos. No entanto, essas investigações teoricamente simples se tornam verdadeiros redemoinhos e colocam Verônica diante do lado mais sombrio do homem, em que um mundo perverso e irreal precisa ser confrontado.
“A todos que se arriscaram a viver perigosamente”

Confesso que a primeira coisa que me chamou a atenção no livro BOM DIA, VERÔNICA foi a capa linda. Os livros das DarkSide Books têm esse “poder” de me fazer ser conquistado de cara pelo design. Sim, sou uma pessoa atraída primeiramente pela capa (exceto quando alguém fala de um livro sem eu conhecer), logo em seguida, eu busco ler a sinopse para ver se a história ou estória me agrada. Assim, aconteceu com BOM DIA, VERÔNICA. Comprei no início de 2017, mas só li em abril, não sabia que a autora é brasileira. Isso me chamou mais atenção ainda para este livro incrível.
BOM DIA, VERÔNICA da Andrea Killmore já começa lhe impactando...

“Era o primeiro dia do fim da minha vida.”
Me acalmei, respirei e me perguntei: “Como assim, mulher?” (rsrs). Mas é assim mesmo que começa o livro. Verônica é uma mulher que está no auge da sua idade, brasileira nata, esposa, mãe, trabalhadora, vaidosa e com um sarcasmo fora do comum. 

Trabalha no Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) como secretaria do seu chefe Carvana. Seu relacionamento com seu ele é harmoniosa, Verônica respeita-o muito (na sua frente), e entende que Carvana é um daqueles homens que acham que os homens são os donos do mundo, machista e controlador. 

Quando Verônica chega ao departamento, a porta do chefe se encontra trancada, as persianas fechadas, e já entende que ele está ocupado e não quer ser incomodado. Grata por ele está atarefado, segue para a sua mesa e começa seu trabalho como os dias anteriores. Uma rotina cansativa e até tediosa. Antes de ter chegado a sua mesa, responde aos mecânicos: “Bom dia, Verônica” de seus colegas de trabalho. Aquele “bom dia” que poderia ser bom se ela estivesse fazendo algo verdadeiramente útil. 

A porta do chefe é aberta e de dentro dela sai uma mulher completamente devastada, Marta Campos. Marta está abatida, sai da sala do Carvana, e olha diretamente para Verônica. Verônica fica estupefata com a aparência desgastada da mulher, tem dificuldades para não encará-la e percebe como seu rosto estava.

“Não tinha como perceber nada além de sua boca, com um ferimento horroroso. Seus lábios estavam inchados, vermelhos, cobertos de pus.”

Verônica olhou fixamente nos olhos da Marta. Para tentar acalmá-la, busca um copo de água para a mulher que estava sofrendo por um motivo que era desconhecido.
Quando voltou, era tarde demais, a mulher subiu no parapeito do prédio, olhou para Verônica e disse: “Agora ele vai ser capaz de me amar.” E se jogou.

Ao anoitecer, Verônica foi ao encontro do seu chefe e perguntou o motivo da Marta ter se suicidado.
Marta tirou sua própria vida porque havia sido vítima de um grande golpe. Conheceu um homem em um site de relacionamento, o cara passou uma doença venérea para ela, deu o golpe e fugiu a deixando sem nada, totalmente destruída fisicamente e psicologicamente. Marta, com a esperança de se apoiar na justiça brasileira foi prestar queixa, mas Carvana não deu a devida importância.
Quando Carvana contou o que Marta foi fazer no departamento, Verônica ficou enojada com a tamanha falta de sensibilidade de seu chefe perante o caso. Tudo do Carvana era “arquiva isso, Verô”.

Você sempre foi um grande babaca, eu quis responder. Mas não precisava. Carvana só queria ouvir a si mesmo, falava em alto e bom som para apreciar a própria voz. Era um egocêntrico legitimado pelo sistema.”

Verônica, filha de policial, sempre teve faro para investigação. Mas porque que ela não estava exercendo sua profissão e estava encostada em uma mesa servindo de empregada para um homem que não era honesto e negligente? Verônica esconde um passado sombrio, onde nós não imaginamos logo de cara, justamente por transparecer ser uma mulher “feliz” e bem resolvida. É aí que nós nos enganamos, às vezes as pessoas escondem segredos e lados obscuros que sequer imaginamos. Verônica se sente vítima de um sistema em que às mulheres não merecem o devido respeito na sociedade, sempre sendo vítimas de golpes, estupros, violência física e psicológica e por razão disso e tentar alavancar sua carreira decide fazer justiça com as próprias mãos.

Junto com seu colega de trabalho, tenta descobrir todos os passos que Marta deu até chegar ao departamento, seu celular, seu e-mail, até chegar ao seu agressor e dá o que ele merece.
Nelson, seu amigo, é de suma importância no livro, pois, com a ajuda dele Verônica descobre coisas que sozinha jamais conseguiria.

“As pessoas olhavam aquele nerd, e não imaginavam o quanto ele era selvagem na cama.”

Seu casamento não anda muito bem, os desencontros com o Paulo eram frequentes e seu contato com os filhos eram poucos, até nos faz duvidar se ela realmente ama o marido e os filhos, se tudo aquilo é uma fachada para manter as aparências. O modelo da família tradicional brasileira – feliz.
Além de ser “dona de casa” e trabalhadora, Verônica tenta solucionar o caso da Marta. Em seus momentos de ocupação, recebe um telefonema que a deixa intrigada, um telefonema da Janete.

Janete é casada com o PM Brandão, um policial corrupto que a maltrata das piores maneiras que possamos imaginar.

“Você nunca imaginou que algo tão cruel poderia ser real.”

A frase que está na capa do livro tem relação com Janete e seu marido. Brandão é uma pessoa má, que se esconde atrás de sua farda, um disfarce que seria impossível de ser descoberto.
Janete é apenas uma dona de casa, iludida e que vive para agradar seu marido. Mas para Brandão Janete faz tudo errado e sente um prazer de agredi-la sempre.
O sofrimento de Janete é muito intenso, senti várias vezes muita tristeza em saber o que uma pessoa pode fazer com a outra e não haver nada que impedisse tanta brutalidade.
Brandão é um homem vil e faz coisas cruéis – não contarei, porque vocês precisam ler.

A vida de Verônica se entrelaça com a de Janete. Janete vê em Verônica a força que ela nunca teve, mas pretende não se submeter mais as agressões e a todo sofrimento que passou e passa com o marido policial bandido. Juntas, as duas farão justiça. Mas até que ponto essa união dará certo? Verônica não tem medo do perigo, Janete sempre foi covarde. Será que Janete fez bem em ter pedido ajuda da Verônica? (A união das duas se deu através de uma entrevista que Verônica deu à tevê).

No livro, saberemos o desenrolar desse thriller maravilhoso: a caçada de Verônica ao agressor da Marta, e a busca de se vingar do Brandão por todo sofrimento que causou a Janete. Iremos ver também uma crítica muito forte em relação à justiça brasileira. Sabemos que as mulheres são vítimas de violência doméstica, estupradas, assediadas e os índices continuam crescendo e não há uma resolução. Quase tudo é arquivado, infelizmente.

Muitas mulheres que sofrem agressão não procuram ajuda por pensar que seu companheiro vai mudar, não denunciam e a situação vai ficando cada vez mais agravante. Síndrome do Estocolmo está presente demais nesse livro.

Outro ponto do livro que gostei muito foi a personalidade da Verônica. Não que eu concorde com tudo o que ela faz na história, e sim porque ela erra muito, é humana demais, mas dentro dela há uma natureza de proteger outras mulheres que vivem sendo abusadas por seus companheiros na sociedade.
Ler BOM DIA, VERÔNICA foi uma experiência incrível! Em poucos meses eu já estava lendo novamente. É um livro impactante do começo ao fim. Foi muito chocante ler algumas cenas. A  autora se atribui de uma linguagem de fácil entendimento. A diagramação está perfeita.

Pelo que vocês já leram até aqui, no livro há duas personagens principais: Verônica e Janete. Quando estamos nos capítulos da Verônica, a narração é em primeira pessoa, mas quando passa para Janete, a narração é em terceira pessoa. É muito recorrente a intercalação de uma personagem e outra.

Eu indico muito esse livro a todos os meus amigos! É um livro impactante que fará você despertar para muitas coisas que até então estavam adormecidas.

“Eu me sentia deslocada, e foi então que comecei a pensar que talvez minha verdadeira vocação fosse outra.”

Informações extras sobre a autora: A autora não se chama Andrea, utiliza um pseudônimo porque sofreu uma grande perda pessoal e encontrou na literatura uma forma de continuar vivendo. A publicação do livro foi feita através de um advogado. A autora diz que não se esconde se protege.

Um comentário:

  1. Excelente resenha! Me interessei muito pelo livro.

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