AMIGA ÍNTIMA DAS CRÔNICAS|| PERIGOSA OBSESSÃO



"Como eu poderia viver sem ela? Preferia que ela morresse a ter que viver sem tê-la"

O sol se punha no horizonte, o crepúsculo se esvaindo e a noite caindo, enquanto eu olhava pela janela senti novamente aquela sensação de que algo estava errado, desde há algum tempo era a mesma sensação de estar sendo observada, por vezes até criei paranoias de que alguém me perseguia, mas logo descartei porque eu não tinha nada de valor, nem mesmo sentimental. Só uma bagagem insana do passado. O frio congelava minha alma, mas eu tinha que sair, era hora de voltar pra casa.

Onze horas e vinte um minutos marcava meu relógio digital, a rua estava quieta e silenciosa, respirei fundo olhei para os dois lados, e comecei a andar. Sempre nessas ocasiões o medo me dominava o desespero me consumia como um veneno dilacerante. Peguei o celular e coloquei o fone, dessa maneira um pouco do medo ia se dissipando. O vento passou pelo minha nuca fazendo com que meu corpo se tencionasse, eu parei e olhei pra trás. A única coisa que vi foi a luz do poste piscando, estiquei a blusa de frio do cotovelo até o punho, e continuei caminhando, a música estava no volume baixo quando os passos assustadores de sempre me assombrava, parei novamente e, depois continuei já que os passos assustadores da minha imaginação sumiram, duas ruas eu andei como um fantasma, os passos voltaram com mais intensidade e eu virei bruscamente para pegar de vez quem era, e novamente não tinha nada. Olhei em todos os cantos possíveis daquela rua e por puro medo comecei a correr feito um ladrão fugitivo, e só parei quando enfim avistei minha casa.

Entrei em casa e tudo estava exatamente como deixei, eu fechei a porta atrás de mim e tranquei passando duas voltas, olhei para as duas janelas de vidro e fui até elas fechando com as cortinas e trancando os cadeados, fiz com todas as outras janelas da cozinha, chequei se a porta dos fundos estava trancada pela segunda vez. Fui para o quarto, e lá eu peguei o cadeado e tranquei a janela, fechei a cortina e encostei a porta do quarto que dava acesso ao corredor e sentei na cama olhando pela fresta debaixo da porta. Um vulto passou tranquilamente pela fresta a sombra me aterrorizou como sempre fazia.

Fiquei de pé muito rápido, peguei o abajur que ficava na cabeceira da cama e me obriguei a ficar em alerta. Eu poderia ter trancado todas as brechas daquela casa, e ainda me sentia oprimida, e observada. Abri a porta procurando pelo invasor, e tudo estava calmo e silencioso como deveria estar. A cortina do corredor balançava, eu fui até lá e tranquei a janela meio aberta. A árvore da frente balançava fazendo sombra no vão do corredor, eu voltei para o quarto e coloquei o abajur de volta ao criado. Me acalmei um pouco porque sinceramente isso estava acabando comigo, minha paranoia de imaginar que eu estivesse sendo seguida era totalmente boba.

Tirei o suéter e em seguida a blusa, alcancei a toalha sem sacrilégio. Coloquei ela pendurada na porta do banheiro e entrei, deixei a porta aberta como sempre fazia, liguei o registro liberando a água que caiu na banheira fazendo com que meu corpo relaxasse, joguei os sais de banho e observei a água caindo. Quando a água chegou ao nível, desliguei o registro, tirei o restante da roupa. A água morna em contato com minha pele, fez meu corpo relaxasse por inteiro. Era tão boa a sensação de cansaço e tensão irem embora. Amarrei o cabelo pra cima em um coque muito bem feito, encostei a cabeça na borda e fechei meus olhos. 

Quando abri os olhos a água me sufocou, eu tentava subir a superfície, mas senti as mãos me segurando, tentando me matar, eu tentava tirar o peso dos meus ombros mas quanto mais eu lutava mais me empurrava para baixo eu gritava pelo sufoco, gritava pela minha alma, então eu morreria assim. Eu estava quase desfalecendo quando as mãos me soltaram e eu pude voltar a superfície. Abri os olhos assustada o suficiente pra procurar pelo meu agressor por todos os lugares, assim que olhei no espelho e vi as marcas, marcas de dedos fazendo um desenho distorcido.

Entrei em desespero, com todo o meu corpo tenso, corri até o espelho e passei a mão desesperadamente apagando a mensagem. Quando eu olhei o espelho meu corpo tinha marcas dos dedos vermelho espalhadas pelo meu pescoço, como aquilo poderia estar acontecendo? Passei a mão onde a pele estava vermelha e tudo escureceu.

O meu pesadelo voltará para me atormentar…

Um comentário

  1. Preciso da continuação desta história!!!
    Foda pra caralho <3

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