RESENHA || O CASARÃO DA RUA 62


Título: O Casarão da Rua 62 |Autor: Caetano Cônsolo | Editora: Scortecci
                         Páginas: 138| Ano: 138

Avaliação: 
Onde comprar: Livraria Asabesça
Naquela manhã gélida, Marco leva consigo apenas uma mochila carregada de sonhos e pesadelos. Nas colinas enquanto o frio castigava os transeuntes, Marco observava as labaredas da lareira. Seu pensamento voava como o vento. Em sua mente flashes passavam como um filme em alta rotação. Os momentos felizes ao lado de Renata deixaram marcas profundas, mas a perda repentina do seu grande amor eram tão doloridas como punhaladas em seu coração. Marco não queria amar outra mulher. Em seu coração não existia mais espaço para outro amor. 


O Casarão da Rua 62 é um livro que a primeira vista parece abordar o terror, o que pode levar o leitor a se aventurar com o personagem por uma casa arrepiante. O livro não se trata de mais um suspense arrepiante. Na verdade, bem longe disso, ao passo que a história fala sobre amores perdidos e a forma do destino agir ao voltar a uni-los ou concluir histórias deixadas de lado.

O protagonista, Marco, perdeu sua amada Renata quando esta partiu rapidamente sem deixar nada que pudesse conectá-lo a ela. Assim, sofrendo pela perda da mulher ao qual o homem acreditava que seria para toda a sua vida, Marco decide abandonar tudo, sua família e estudos, para seguir pelo Brasil atrás de histórias como a sua e investigá-las e solucioná-las, para que outros não sentissem a sua dor, para que outros pudessem seguir a sua vida sem um peso ou sem uma culpa.

É dessa forma que Marco em uma de suas "caminhadas" escuta histórias que o instigam a se instalar em uma vila nas serras de Santa Catarina, e é lá que encontra o casarão da rua 62, e logo começa a investigar o local que estava desolado, destruído e decadente. No entanto, a história que Marco decide desenterrar tem muito mais do que amores perdidos, mas envolve corrupção, assassinato e uma enchente provocada pelo rompimento de uma represa, além de uma oportunidade de encontrar um novo alguém que o faz questionar-se sobre a “regeneração” de seu coração.

Definitivamente foi um livro que despertou em mim uma ambiguidade de sentimentos, tanto negativos como positivos e irei explorá-los. Umas das coisas que me incomodaram durante a leitura foi justamente por não ter encontrado nenhuma resenha sobre o livro, o que me levou a confiar apenas na sinopse e ter uma equivocada concepção de que o livro seria um terror misturado com suspense envolvendo esse casarão, e por muitas páginas fiquei inquieta esperando por isso. 

Outra coisa que me incomodou foi o romance envolvido na história, pois ao longo dela não me senti conectado ao personagem e nem aos romances superficiais abordados na história; retratavam uma paixão que não me parecia tangível a ser transpassado ao leitor e em muitas das narrações senti o romance meloso, mesmo sendo ele o propósito de Marco estar investigando casos como o dele. O livro uma hora narra na visão de Marco e outra em terceira pessoa, e a passagem abrupta muitas vezes me causaram estranheza. 


Contudo, como disse, não tenho apenas críticas negativas (risos)! Ao passo que certas coisas me incomodaram, por outro lado me peguei bem envolvida com o livro querendo terminá-lo para ver como a história do Casarão iria se desenrolar. O que afinal tinha acontecido naquele lugar para que tudo fosse abandonado às pressas, e o rio que seguia seu curso regularmente ter desaparecido entre árvores arrancadas pelas raízes? E por que os moradores da vila se viam tão instáveis e ameaçados com ela. 

Também me agradou o toque do autor que, como geógrafo, pois adicionou ao livro pequenos toques informativos que eram fáceis de serem entendidos e até interessantes de se saber. O clima frio da vila, assim como seus moradores misteriosos e a história do casarão, tudo isso combinado deram cor e prazer para ler esse breve livro.Portanto, recomendo o livro, para aqueles que querem uma história rápida que contenha segredos, um clima agradável, e um ar misterioso que irá conectar muitas histórias a muito deixadas de lado.

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