RESENHA DOIS A DOIS|| A GUERRA QUE SALVOU A MINHA VIDA

Título: A guerra que salvou a minha vida| Autora: Kimberly Brubaker Bradley|Editora: Darkside Books
                                                    Páginas: 234|Ano: 2017
Avaliação:
Onde comprar: Amazon

Ada tem dez anos (ao menos é o que ela acha). A menina nunca saiu de casa, para não envergonhar a mãe na frente dos outros. Da janela, vê o irmão brincar, correr, pular – coisas que qualquer criança sabe fazer. Qualquer criança que não tenha nascido com um “pé torto” como o seu. Trancada num apartamento, Ada cuida da casa e do irmão sozinha, além de ter que escapar dos maus-tratos diários que sofre da mãe. Ainda bem que há uma guerra se aproximando.

Impressões da Amanda Marques

A Segunda Guerra Mundial foi um dos fatos mais marcantes da história da humanidade, disso não nos resta dúvidas. Com ela, veio muito sofrimento e perdas, mas já imaginou que por conta da guerra, alguém conseguir salvar sua própria vida transformando-a em momentos plenos de felicidade, fraternidade e muito aprendizado? 


Pois, gostaria de comunicar que esse livro não é sobre a segunda guerra mundial, – ela é apenas um plano de fundo para a história – na verdade, é sobre outro tipo de guerra, muito mais íntima e singular: é sobre a guerra interna que há dentro de nós que podemos chamar de conflitos, inseguranças, sofrimentos, desafios e principalmente o medo de aceitar quem realmente somos e se sentir pleno com isso.

O livro conta-nos a história de Ada, uma menina que nasceu e vive em Londres com a mãe e seu irmão caçula Jamie. Ela tem aproximadamente 10 anos e seu irmão 6 - mas ambos não sabem a verdadeira idade uma vez que a mãe nunca os contou.


A mãe de Ada e Jamie, nunca foi um tipo de mãe que zela por seus filhos. Viúva e pobre, ela sempre descontava suas raivas e mágoas nas crianças, e principalmente em Ada. A mãe não aceitava o fato de que Ada tinha um pé torto e a maltratava com frequência, sempre a insultando dizendo que ela era imprestável por conta do pé torto e nunca permitindo que a pobre garota saísse de casa, pois dizia que ela envergonharia a todos. Portanto, Ada jamais saiu de casa, nunca foi a escola, ela não conseguia andar direito por conta do pé torto e sempre se arrastava para conseguir fazer alguma coisa.

“Você não passa de uma desgraça! ” Ela gritava. “ Um monstro, com esse pé horrível! ” Acha que eu quero que o mundo todo vendo a minha vergonha? ”

Com esperança e dedicação, ela começou a tentar aprender a andar com os ambos os pés, o que foi um muito sacrifício e sempre deixa seu pé muito machucado e sangrando, mas ela tinha esperança que a mãe a amasse e sentisse orgulho por essa conquista. Por outro lado, tudo foi em vão, e quando a mãe percebeu o que ela estava fazendo achou que ela estava sendo insolente, e a trancou em um armário pelo resto do dia para que ela não ousasse fazer isso de novo.

Com rumores de que Londres pudesse ser bombardeada pela Alemanha, o governo autorizou que as famílias levassem seus filhos para morar no interior com outros tutores, a fim de sobreviver aos bombardeios, e ao descobrir essa notícia Ada e seu irmão caçula decidem fugir de madrugada para conseguir um outro lar enquanto a guerra pairasse em Londres.

Sujos e desnutridos, Ada e Jamie foram mandados para a casa de Susan, uma mulher solteira e que vivia sozinha no interior da Inglaterra. A primeira reação de Susan não foi das melhores, uma vez que ela nunca cuidou de crianças e estava de luto por uma amiga muito querida, entretanto, ela aceitou ficar com as crianças e dá o seu melhor por eles.

O que parecia ser um dos momentos mais difíceis para Ada e Jamie tornou-se uma mudança em suas vidas. Ada foi descobrindo que ela não era tão imprestável como sua mãe sempre dizia, e encontrou liberdade e mais autoconfiança ao aprender a andar de cavalos, costurar e andar – com a ajuda de muletas - por todos os lugares da cidade. 

Em um dia, quando foi questionada por Susan porque ela não ia para escola, Jamie comentou que a irmã não podia sair para nenhum lugar por conta do pé feio e o comentário de Susan revolucionou os pensamentos de Ada e a fez perceber que ela podia ser muito mais se quisesse: 

“O pé fica muito longe do cérebro.”
O resto do livro promete momentos muito marcantes e emocionantes para esse novo lar e para todos que vivem nele, principalmente Ada que não vai só aprender a viver, mas enfrentará desafios que mudará sua vida completamente.

É um livro para ser lido por todos aqueles que tem corações bombardeando em seus peitos. Ele nos mostra como o amor e a educação podem mudar vidas. Ada vive o que muitos de nossas crianças vivenciam hoje: pais que não ligam para os filhos, maltratam fisicamente e psicologicamente, deixando sequelas e traumas que os deixam com dificuldades de lidar com tudo ao seu redor.



Indo mais além, o livro nos mostra que podemos aceitar quem realmente somos ou como somos, e nos superar cada vez mais e com o amor e dedicação de quem amamos. Podemos nos sentir plenos e felizes para aproveitar o que há de mais singelo nessa vida.

Um comentário:

  1. Oi Amanda,
    Esse livro parece ser incrível e estou muito curiosa para ler! Fiquei muito contente por você ter curtido e que é cheio de momentos marcantes.
    É bacana a SGM ser apenas um pano de fundo.
    Beijos ♥

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