RESENHA || A GAROTA QUE PERSEGUIU A LUA

Título: A  Garota Que Persegui a Lua Autora: Sarah Addisson Allen | Editora: Planeta Livros                                                        Ano: 2012 | Páginas: 243

                                          
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Como você pode achar seu caminho? Seguindo as nuvens ou a lua? Emily Benedict foi para Mullaby após a morte de sua mãe. Ao chegar à cidade e conhecer seu avô ela percebe que os mistérios do lugar nunca são resolvidos: eles são uma forma de vida. Existem quartos cujo papel de parede muda de acordo com o seu humor, luzes estranhas aparecem no quintal à noite e Julia Winterson, a vizinha, consegue cozinhar a esperança em forma de bolos. Emily percebe que sua mãe esteve envolvida no maior mistério da cidade, e conta com a ajuda de Julia para desvendá-lo. Em Mullaby nada é o que parece.
Um história construída de segredos. Um passado desconhecido. Mistérios. Sarah Addison Allen, criou uma trama simples, metafórica e cativante. De forma leve que nos envolve a cada capítulo. e nos convida para desvendar Mullaby.


Emily acabou de perder sua mãe e se vê obrigada a mudar para uma cidade na Carolina do Norte, onde sua mãe morou durante a infância. Sem saber o que a esperava na nova cidade, pois sua mãe nunca falou nada sobre Mullaby, e nem sobre o avô de Emily, ela se surpreende ao descobrir que seu avô Vance é um homem de três metros de altura (surpresos? Eu também fiquei), muito gentil, que morava sozinho até a chegada da sua neta desconhecida.

De início, Vance já avisa a Emily sobre a mudança constante do papel de parede do quarto que pertencia a Dulcie,  mãe dela, no qual Emily irá dormir, ela não acredita a princípio afinal, papeis de parede não mudam magicamente, não é?

Ao andar pela cidade, ela percebe que os olhares que recebe dos moradores de Mullaby não são amigáveis e muito menos de boas vindas. Em uma noite ao sair na varanda, Emily vê luzes estranhas como se fossem fantasmas e logo fica sabendo que ela era "uma luz de Mullaby " e nisso conhece sua vizinha Julia, uma confeiteira de mãos cheias que irá ajudá-la a descobrir os segredos que envolvem o passado de sua mãe na cidade, e ao que parece não é dos melhores. Talvez, toda a vida politicamente correta de sua mãe não tenha sido sempre assim.

Em meio a esses segredos do passado de Dulcie que envolvem diretamente a família Coffey, uma família muito rica e que possui uma tradição muito peculiar de não sairem à noite, por nada. Julia ainda tenta se curar de feridas abertas da sua adolescência em que ela havia pensado que já houvessem cicatrizados, mas que se abrem quando ela reencontra Sawyer. Será que chegou a hora de revelar o que realmente aconteceu? Poderia o amor superar um grande trauma?

Apaixonar-se não será permitido, mas e se acontecer?

Em Mullaby tudo pode acontecer, principalmente com um toque mágico.

A Garota Que Perseguiu a Lua é uma narrativa que nos envolve e que em meio a metáforas, nos faz refletir sobre diversos aspectos da vida.
"Mas eu faço isso porque lembra pelo que sou capaz de passar...pelo que eu passei. E me lembra de não desistir." p.208

A adolescência é uma fase muito difícil, e a Addisson trabalha temas como gravidez, suicídio, abandono e amor nessa fase de uma forma tão simples, e ao mesmo tão reflexiva, que por vezes parei a leitura e fiquei pensando como ela conseguiu fazer isso.

Emily é uma personagem muito fofa, e que sofre em alguns momentos ao carregar o peso de algo que ela não fez. O que me fez pensar imediatamente em como nós inúmeras vezes fazemos isso: julgamos alguém que tinha as características dela, e que se comportou de uma forma inadequada. Não é assim com os negros? Ou gays? Ou até mesmo uma família cujo membro comete algo ilícito? Precisamos aprender que um membro de determinada classe/família não pode se comportar de tal maneira, e que os demais, consequentemente, irão se comportar também.

A narrativa também faz questão de tratar a quebra de tradição, o que eu achei fantástico.
Existe uma família na cidade que sofreu no passado por não respeitar a tradição, e isso fortalece a ideia de que eles precisam permanecer nela a todo custo, porém chega o momento que aquilo já não cabe mais na sociedade e precisa ser exposto. Com sua escrita suavemente delicada, a autora mostra que tem certas coisas que precisam ser mudadas, e que essa mudança pode ser boa só depende de uma iniciativa, de uma razão.

Um livro que fala sobre segundas chances para os outros e para si mesmo. De perdoar. De se perder para se encontrar onde você não esperava. De não desistir e de perseguir que se deseja.

A narração é em terceira pessoa, mas de uma forma que eu não tinha visto antes, pois mostra (de fato) a perspectiva de vários personagens e com flash's do passado também (algo que gosto muito). Geralmente quando leio algum texto em terceira pessoa, o narrador sempre se centra no personagem principal e aqui não aconteceu dessa forma e foi muito bom.

Uma coisa que eu também achei muito legal é o teor sutil de fantasia que a obra apresenta, sendo assim aqueles que não curtem tanto esse gênero podem se aventurar com esse enredo sem medo algum.


A única coisa que me incomodou na leitura foi o fato de Emily, mesmo dizendo amar tanto a mãe, nunca demonstrava nenhuma tristeza durante a narrativa. A mãe dela morre, ela se muda para uma cidade na qual ela não conhece ninguém, para a casa de um avô que ela até então não sabia da existência e nem sequer chora ou fica triste? Achei isso muito estranho. Porém em nada atrapalha o desenvolvimento da trama, foi só um detalhe que percebi.

A parte gráfica está impecável! Capa muito bem produzida, com o título em roxo metalizado e com leve relevo, fonte de tamanho confortável, sem erros e com lindos detalhes de borboletas (presente na história) no início de cada capítulo. Uma fantasia moderna,  leve e fluída que recomendo para os leitores que querem uma leitura mais "confortável" e sem muita intensidade, o típico livro para dias frios e uma bela bebida quente.

18 comentários:

  1. Bom dia!!
    Não conhecia essa autora, e nem o livro, mais um anotado para leitura, acho que vou gostar, principalmente, por ser uma leitura leve e descontraída...adoro livros assim desprentiosos!!! Gostei dos temas que são abordados no livro e vc me deixou realmente curiosa em relação à ele!!!
    Bela resenha! Beijos

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  2. Oie!
    Eu já li esse livro e adorei a história!
    Foi meu primeiro contato com a autora, e fiquei encantada com o que eu encontrei na trama. A narrativa foi bem viciante, onde não consegui parar.
    Só sei que adorei o livro!
    Bjks!
    Histórias sem Fim

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  3. Olá!
    Eu ainda não conhecia essa obra, mas pela sua resenha fiquei super empolgada! Achei bem interessante a narrativa realizar essa quebra de tradição também, e acho que a leitura seria super interessante, principalmente por ser cheia de reflexões. Dica anotada!
    Beijos.

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  4. Olá ♥
    Não conhecia a obra, mas fiquei um pouco intrigada com a resenha. Achei bacana a autora abordar temas tabus, coisas que fogem um pouco do nosso costume de ler. A premissa em sí é muito instigante. Vi você falando da frieza da personagem principal quanto a mãe, creio que isso também me incomodaria um pouco. Parabéns pela resenha. Dica anotada, beijos!

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    1. Mas ela não é rude , nem nada assim sabe, ela só não sente tanta falta da mãe como alguém que sente nos primeiros meses. Espero que você leia e se encante como eu! Beijos!

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  5. Cara, que resenha mais linda ♥
    Me apaixonei pela história, e pelo modo que você contou pra gente!
    Adorei a idéia dos papéis de parede mágicos, e toda essa fantasia gostosa que essa obra nos traz. Adicionei a minha lista de desejados e espero ter a chance de embarcar para Mullaby em breve <3

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    1. Tomara que você consiga conhecer Mullaby o quanto antes, e se apaixone por essa cidade tanto quanto eu!

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  6. Gostei do enredo. Me interessei pelo livro já desde seu título e capa. Sua resenha me cativou. Fiquei querendo ler rsrs Juro! Gente, minha lista só de leitura só aumenta, desse jeito ta difícil rsrs Mas sem brincadeiras, amei mesmo. Quero , quero, quero ele! Bexitus!

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  7. Oi Ítalo!

    Tudo bem? Então, eu tenho esse livro aqui em casa faz o maior tempão e inclusive já tentei começar a ler umas duas ou três vezes, mas não vai por causa da diagramação dos primeiros capítulos (é que eu tenho TOC então aquilo me incomoda demais da conta), mas enfim! O livro possui uma premissa bem interessante, você não é o primeiro resenhista que vejo falando sobre como as metáforas empregadas no livro propõe reflexões ao leitor.

    Eu fiquei mesmo com vontade de tentar reler e quem sabe se um dia superar meu TOC com a diagramação desse livro não consiga né? Ótima resenha!

    Beijinhos - Jessie
    www.paraisoliterario.com

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    1. É realmente uma pena você ainda não ter conseguido ler, mas é só uma folha a cada capítulo... Vai valer o esforço garanto! (Sei o quanto o TOC pode atrapalhar:| ). Acredito que alguns leitores não consigam perceber as metáforas presentes na narrativa, mas se você perceber o próprio título já uma metáfora (por que ela não persegue lua nenhuma kkkk), mas é necessário estar atento para entender. Obrigado por comentar, e espero que consiga ler! Beijos!!

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  8. Nossa, o cara tem três metros? Oo hahahah
    Eu geralmente gosto de histórias sobre segundas chances e também curto histórias reflexivas, então seria meio caminho andado para eu curtir. Mas achei o enredo meio juvenil demais, então acho que não leria, pelo menos não agora.

    Beijos

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  9. oie! Nossa, fiquei morrendo de vontade de ler esse livro. Parece daqueles bem envolventes, e gostei de saber que a fantasia presente na obra é bem sutil. Também achei ótimo o fato de a autora trabalhar temas da adolescência de uma forma boa e cativante.

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  10. Olá Wesley!
    Já li muitos elogios para esse livro e acho a premissa dele fascinante, a adolescência é mesmo uma fase muito difícil, mas a protagonista parece não ter sofrido tanto quanto outros. Achei toda a história interessante até chegar na parte em que você fala sobre a mãe dela, não consigo vê-la não sofrendo. No mais, é uma leitura que vou anotar a dica e espero gostar.
    Beijos

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  11. Ola!
    Eu não conhecia esse livro, mas fiquei bem interessada, me intrigou bastante. Vou anotar com todas certeza.
    Parabéns pela resenha.

    Beijos
    Leitora Dramática
    http://blogleitoradramatica.blogspot.com.br/?m=0

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  12. Oiee Italo, tudo bem? Gostei muito da sua resenha e conhecer melhor esse livro. Já vi ele muitas vezes mas nunca me senti realmente atraída pela leitura, apesar de ser apaixonada em dramas e nessa capa maravilhosa. Gostei de saber os temas que a autora aborda, e agora fiquei com vontade de ler o livro sim, e espero fazer isso logo.
    Beijos!

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  13. Olá, tudo bem?
    Amei a premissa e o título me deixou muito curiosa.
    Os temas me deixaram bem curiosa, e queria saber como a autora os conectou a história.
    Amo dramas e a editora sempre lança ótimos livros desse gênero, um beijo.

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  14. Como não amar os livros da sarah.dou viciada em todos os livros dela
    E amo este livro do início ao fim e tbm estranhei um pouco a falta de emoção na morte da mãe.
    Vou dar uam dica a vc.leia o pessegueiro da mesma autora e vc vai se apaixonar mais pela escrita da autora.e todas as capas dos livros dla são maravilhosas

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