RESENHA || RIO DA LUA

Rio da LuaTítulo: Rio da Lua|Autor: Renato Zupo|Editora: Novo Século
                                                       Páginas: 349| Ano:2015


Avaliação: 
Onde comprar: Saraiva & Submarino
Em uma pequena cidade do interior de Minas Gerais, pessoas aparentemente sem problemas e desfrutando de uma vida pacata começam a se matar, o que provoca um estado de terror na população local. Além de ocorrerem em uma periodicidade vertiginosa, os suicidas optam por maneiras excruciantes e extremamente dolorosas de pôr fim à própria vida. As investigações surgem, conduzidas por um arguto detetive aposentado e seu devotado parceiro, um investigador de seguros, e levam ao mundo do ocultismo e à suspeita de que há um serial killer no interior mineiro. Prepare-se para um intrigante romance policial, narrado com um estilo inigualável, a um só tempo ágil, ácido e envolvente.


Hoje trago para vocês um pouquinho da nossa literatura nacional, que ganhou também um selo da Editora Novo Século como um dos Talentos da Literatura Brasileira. Vale salientar que esse selo tem por finalidade dar a chance a novos autores de terem suas obras avaliadas e publicadas por uma editora conceituada.

No entanto, embora a ideia mensurável, por parte da Editora, a leitura não me chamou tanta atenção. Comecei a leitura, uns três dias antes do natal, e só consegui finalizá-lo quatro semanas depois,, devido à forma como a história é narrada, pois ficaria bem interessante se ela fosse desenvolvida de forma mais direta, sem muita enrolação e sem umas 140 páginas de descrição que ao meu ver não caminharam quase nada em relação às outras 140.

Dessa forma, Rio da Lua é uma cidadezinha fictícia no Vale do Jequitinhonha, com uma população margeando os 5 mil habitantes. Perfeitinha, bem cuidada, clima agradável, mas que os únicos acontecimentos acirrados que há nela envolvem Política e as Oligarquias dos Prates ou dos Cavallini, duas famílias em histórica disputa; ou brigas de bares ou domiciliares. Até que, começam os suicídios.

O mundo está repleto de gente absolutamente normal que, em um momento de desatino e desespero, e de modo bastante inexplicável, comete loucuras. p. 170

O primeiro a cometer suicídio é Adelmo Bueno, um cinquentão que tem uma deficiência, e o estacionou eternamente com uma personalidade de um garoto de 12 anos. No entanto, o intrigante não é apenas o fato do seu suicídio e o que o levou ao acontecimento, mas a forma escolhida para tal: enforcado no sino da Igreja da pequena Cidade. Contudo, dizem que tragédia vem acompanha, não é mesmo? E, logo após um mês do ocorrido outra conterrânea rio luensse faz o mesmo, e logo após outro mês, mais uma. Seja se enforcando, se jogando de precipícios ou enfiando agulhas de crochê até a massa encefálica pelos olhos, o fato é que tragédias como essas ocorrem mensalmente e começam a atrair atenções de fora e a inquietar os habitantes da "perfeita" cidade.

A história começa a ficar interessante: são chamados para investigar os casos de Rio da Lua um Inspetor de Polícia aposentado e um investigador particular de sinistros (seguros), e assim, auxiliar a delegada da cidade para determinar se os casos são ou não "apenas" suicídios e impedi-los de ocorrer novamente.

A história começa então a se desenvolver e a ser esclarecida. Pessoas são procuradas, pistas encontradas e, magia negra é revelada, assim como possíveis suspeitos levando a uma nova óptica para os acontecimentos estranhos e repetitivos.

Os personagens são bem desenvolvidos e alguns são desenvolvidos até demais, pegando umas boas páginas do início do livro. Há um breve romance, só para dar uma coloridinha diante de toda a tragédia e do suspense. Ao final, muitas respostas vem à tona e peças já conjecturadas são confirmadas, mas passando tudo um pouco mais rápido, como se o autor tivesse escrito detalhado tudo no começo e se esquecido de cortar partes por lá para dar mais espaço e assim, desenvolver o final sem extrapolar a quantidade de páginas limite.


Comprei o livro em um ótima promoção após ficar um bom tempo de olho nessa capa linda, e a história ter me intrigado por me lembrar Caixa de Pássaros com as mortes inquietantes, mas ambos são bem diferentes. Rio da Lua é um livro para quem curte suspense e ficção policial, assim como, para aqueles que tem paciência para ler 140 páginas até, finalmente, alcançar o foco da história que é a investigação. 

Como um todo, a Editora não deixou a desejar na capa e nem na diagramação, sem erros de escrita a serem criticados. O autor tem outras obras, ao qual estou intrigada por uma delas, só espero que esse recente lançamento tenha sido melhor aproveitado.
Era naquilo que a humanidade havia se transformado, a tal "aldeia global" que havia enxotado os ingênuos e bobos da face da terra. p. 102

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