RESENHA || COMO TATUAGEM



 Título: Como Tatuagem| Autor: Walter Tierno| Editora: Verus
Ano: 2016|Páginas: 308
Avaliação:
Artur é um cara rico, superficial e egoísta. Bonito e popular entre as mulheres, não tem o menor respeito por elas — sua vida amorosa se resume a colecionar parceiras na cama. Essa rotina de prazeres e privilégios é interrompida quando ele sofre um grave acidente de carro. Para ajudá-lo a se recuperar, sua mãe contrata a fisioterapeuta Lúcia. Desde criança, Lúcia sofre o preconceito que persegue os portadores de vitiligo. Sua mãe sempre esteve presente para apoiá-la e fazê-la enfrentar os obstáculos que a vida lhe impõe. De temperamento doce, porém decidido, Lúcia tem uma consciência peculiar e aguda sobre o mundo. Mas, quando se vê sem o amparo materno, suas certezas desabam. O encontro de duas pessoas tão diferentes vai gerar muito atrito, mas com o tempo Lúcia e Artur vão descobrir algumas das infinitas facetas do amor e, entre conquistas, medos, perdas e paixões, verão suas vidas transformadas para sempre.
É preciso tomar um pouco de fôlego antes de iniciar.





“Como Tatuagem” é aquela espécie de obra que te faz mergulhar na leitura e estando imerso, você só nada para fora depois de um tempo de reflexão para respirar, tomar fôlego e indicar para que outros a conheçam.

O livro possui dois personagens protagonistas que revezam a narração entre os capítulos: Lúcia e Arthur, jovens adultos que possuem uma trajetória de vida peculiar. Os acontecimentos que submergem os dois são intensos e tornam suas histórias únicas. Imagine só como seria o encontro entre uma fisioterapeuta, humana, sensível, consciente e portadora de vitiligo com um filhinho de papai, bad boy, descompromissado com o futuro, machista e egoísta?!

Pois é, Walter Tierno conseguiu realizar esse encontro ou seria reencontro?
“E sei também que, por baixo de toda rudeza e egoísmo, existe uma pessoa como qualquer outra. Nem totalmente má, nem totalmente boa. Um humano, com todas suas maravilhosas contradições.” p. 270
Particularmente, devo admitir que me apeguei a Lúcia e odiei Arthur durante grande parte do livro, os dois sentimentos se justificam por causa das escolhas e atitudes de cada um deles. As sensações de leitura foram bem semelhantes como uma mescla entre a contemplação de “Um Dia”, de David Nicholls, com o vislumbramento de “A Brincadeira”, de Milan Kundera. 

“Ele é verdadeiro. E amar uma pessoa verdadeira, com suas camadas e defeitos (...) Não há fábula que se compare a ele, não há cisne fantasioso que o inspire. Sim. É amor o que sinto. Não lhe disse isso, ainda, e, conhecendo e reconhecendo seus defeitos e suas manias, sei que ainda é cedo” p. 263
Em “Como Tatuagem”, o autor nos apresenta um romance nada clichê e usual. Pode até parecer que Walter Tierno tenha lançado um livro com aquele chavão do clássico acontecimento de redenção em que o vilão torna-se o mocinho ou o lançamento do estereótipo de mocinha que sofre por amor durante todo o livro. Entretanto, ele foge da zona de conforto e nos insere em uma montanha russa vívida e surpreendente, por exemplo, em relação a sua concepção de amor e quanto ao preconceito sofrido por Lúcia que a acompanha desde a infância e não a deixa na fase adulta.

“E encontrei o amor da minha vida. (...) Não tenho mais dúvida sobre isso. Não falei pra ela ainda. Até poderia dizer a mim mesmo que não sei o porquê. Mas acontece que sei. Medo. Medo de perde-la. Medo de ficar com ela. Medo de tudo.” p. 258
Falar de “Como Tatuagem” é como pisar em ovos para não entregar nenhum spoiller, pois cada etapa desvenda uma faceta reveladora da narrativa desde os primeiros capítulos até os últimos.

“A morte tem esse tipo de crueldade, que é proibir a gente de confirmar algo que está frágil e nebuloso na memória. Serve como uma dolorosa lição. Prestar atenção ao que as pessoas dizem, porque não pode haver uma segunda chance.” p. 121
Além dos protagonistas, temos em segundo plano: Dona Ana, Mamuska de Lúcia (apelido dado pela filha), que é forte, guerreira e apesar do seu jeito não tão dócil, nos deixa embasbacados com sua personalidade e simplicidade. Bruno, ex-namorado de Lúcia, advogado, que nunca a esqueceu e tem pretensões de reconquistá-la. Lurdes, amiga de dona Ana, tagarela, mas de bom coração e uma das razões do encontro entre Lúcia e Arthur. E, ah, a família de Arthur... Tão desestabilizados! Não criam um contraste muito grande com quem o filho se tornou. 

“Nunca escondi minha admiração pela Mamuska. De ninguém, nem mesmo dela. Para mim, repetir suas frases, expor suas teorias e contar suas histórias é muito comum, além de fonte de orgulho e diversão. Mas sei os limites de sua sabedoria marreta e esculachada. Ela não veste a minha pele todos os dias, então não tem como saber exatamente como é minha vida, por mais que me ame” p. 30
Os espaços mais comuns em que a trama se desenvolve são o apartamento de Arthur no Tatuapé, a clínica onde Lúcia trabalha, o condomínio dos pais de Arthur, a casa de Lúcia e o trânsito (crucial). O tempo decorrido na narrativa é de um ano e quatro meses. De uma sexta-feira de abril até uma quarta-feira de janeiro, para termos a certeza da quantidade de acontecimentos que podem decorrer na duração de um ano e poucos meses.

Algumas particularidades que são necessárias saber antes da leitura:

•    Os palavrões em abundância e as descrições chulas dos relacionamentos levianos (pode chamar de relacionamentos?) na parte da narração de Arthur desde o primeiro capítulo. Prepare-se para querer esmurrar a cara dele ao ler como ele trata e pensa sobre as mulheres.
•    A conjugação dos verbos criados por Lúcia a partir de substantivos e adjetivos, que pode ser visto numa perspectiva infantil ou poética, dependendo do ponto de vista.
•    “Talvez seja isso que defina o caráter de uma pessoa: A qualidade de suas escolhas.” P. 263
•    Perguntas frequentes: E sobre a tatuagem? Bom, aconselho que leia para descobrir esse mistério que será encantador quando você desvendá-lo.

“Como Tatuagem” é uma obra indicada para quem gosta do gênero romance e para quem não gosta, dê uma chance a ele. Eu, pessoalmente, fui surpreendida e fisgada pela obra, mesmo não estando tão afeita a leitura de romances atualmente.

E você conhecia a obra ou leu outro livro do autor?

17 comentários

  1. Flor eu até estava me interessando pelo livro aí você foi lá e o comparou com 'Um Dia', ô flor faz isso não aí eu desanimo. Porque não gostei nada de 'Um Dia', pode me crucificar rsrs, mas não gostei rs O bom é que sei abstrair e fingir demência rs aí segui em frente. Me interessei em ler 'Como Tatuagem', mas espero sinceramente que ele não se pareça em nada com 'Um Dia' rs Sorry, falei! rs

    |amorlivresco.wordpress.com|

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  2. Olá, Jéssica!
    Não conhecia o livro, mas sua resenha me deixou super curioso. Não curto muito romances, mas esse parece sair do padrão. Adicionado na lista de desejados!

    Abraço :)
    http://lupiliteratus.blogspot.com.br/

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  3. Uau! Que resenha boa!
    Beijo, beijooooo
    She

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  4. Oie! Tudo bem?

    Já estou querendo devorar esse livro para ontem! Não conhecia esse lançamento do autor, mas fiquei bastante curiosa e ansiosa para realizar a leitura, ainda mais depois da sua resenha! Irei procurar saber mais sobre a obra e com certeza compra-la!

    Bjss

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  5. Oi, tudo bem?

    Por mais que você tenha dito que o romance não é clichê, eu achei o Arthur bem estereotipado. Em relação à Lúcia, acho que me afeiçoaria a ela, achei interessante também o fato dela ter vitiligo. Confesso que não lerei tão cedo, mas não descarto uma leitura futura.

    Beijo

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  6. Oie,
    Olha como a literatura e os sentimentos criados por ela é complicado de explicar. Não conseguir senti a mesma coisa que senti quando li Um Dia. Acho livros de extremos. rsrsrs
    Li Como Tatuagem e simplesmente amei. Foi um dos melhores livros que li no ano passado e por ser tão diferente, agressivo e arrebatado isso me encantou.
    Walter criou uma história unica e meu desejo é que todos possa ler essa obra.

    Bjs,
    Garotas de Papel

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  7. Nossa tem um enredo bem parecido com o de como eu era antes de você, mas com vários pontos nada semelhantes, gostei da história e de todo o contexto que pude notar pela sua descrição, acho que é um romance bem gostoso de ler e me interessou bastante, com certeza vai para minha lista de livros que pretendo ler em 2017, beijos.

    http://fonte-da-leitura.blogspot.com.br/

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  8. Oi, confesso que o que mais me chamou atenção de tudo é o detalhe da tatuagem. Acho que tem muitos pontos interessantes e diferentes que parece que o autor soube explorar muito bem, e que apesar de todos estarem ligados, existem muitas personalidades e jeito de ser diferentes. Então eu fiquei bem interessada pelas suas descrições e comentários e gostei principalmente das considerações feitas ao final que quem vai ler precisa ficar atento sabendo que irá encontrar. Espero ler em breve!
    Um beijo
    www.brookebells.com

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  9. Oi Jessica, tudo bem?
    Esse romance me parece ser bem interessante devido ao modo e circunstâncias em que os personagens acabam se conhecendo, mas não sei se o leria. Não gosto de personagens machistas e muito grosseiros, e saber que encontrarei isso no protagonista masculino é algo chato, e acho que mulher alguma deveria se envolver com um homem assim e com certeza ficaria o livro todo xingando a mocinha por isso, haha. Quem sabe um dia?

    Beijos! ♥

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  10. Oie
    sobre o Artur eu concordo total, minha vontade era de parar a leitura por causa desse personagem e isso fez com que eu não gostasse tanto da leitura pois a protagonista é muito boa para ficar com um cara daquele, ou seja, não apoiei o casal haha mas legal sua resenha e gostei dos seus pontos de vista

    beijos
    http://realityofbooks.blogspot.com.br/

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  11. Oiee
    Ainda não conhecia esse livro e achei bem interessante. Fiquei curiosa pra saber o pq do título.. rsrsr
    Esse Artur heim!!! Aiai já senti raiva dele só de ler a sua resenha...
    Adoro um bom romance e esse parece que vai me agradar tb...
    Vou anotar a fica
    Bjo

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  12. Oi, tudo bem?
    Fico feliz em ver que você foi fisgada por essa leitura, eu já tinha ouvido falar brevemente sobre o livro e sua opinião ajudou muito para que eu ficasse mais curiosa ainda. Adorei!

    Beijos

    http://www.oteoremadaleitura.com

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  13. Olá!!
    Não conhecia o livro nem o autor, mas gosto de romances em que podemos conhecer a história dos dois pontos de vista do casal.
    Tenho certeza que eu também não iria gostar das atitudes iniciais de Arthur, e espero que com o tempo ele mude para melhor!
    Dica anotada...
    Um beijo!!

    www.asmeninasqueleemlivros.com

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  14. Olá,

    Já tinha ouvido falar desse livro mas fiquei interessada por saber que não é mais um romance clichê. Também acho livros com personagens machistas bem indigestos. Deve ser uma leitura complicada nesse sentido para mim. Mas talvez eu de uma chance.

    Beijos e obrigada pela resenha
    Flora Literária

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  15. oie, já ouvi falar bastante nessa obra, mas confesso que nunca fiquei muito a fim de ler. Infelizmente, a parte dos pensamentos e palavrões chulos me deixam levemente desanimada, pois não gosto muito da presença disso em obras. Porém, quem sabe, como trata de vários temas pertinentes, eu venha a dar uma chance.

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  16. Oi Jéssica,
    me lembro muito bem que quando esse livro foi lançado, me chamou muito a atenção, eu inclusive falei dele lá no grupo do blog, infelizmente com o passar do tempo acabei esquecendo dele e dando atenção aos inúmeros outros lançamentos aos quais eu tive acesso mais facilmente, no entanto ler sua resenha reacendeu minha curiosidade sobre essa história, espero não ter grandes problemas com Arthur, já que nunca passou pela minha cabeça que essas características ruins dele seriam tão marcantes, mesmo que apenas a princípio.

    Bjos
    Delmara Silva

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  17. Oi, Jéssica. Agradeço imensamente seus comentários sobre "Como Tatuagem". Fico muito feliz que tenha curtido. Um grande beijo.

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