RESENHA|| BORBOREMA


Título: Borborema |Autor: Letícia Godoy| Editora: Arwen
Ano:2016| Páginas: 346
Avaliação: 
*E-book cedido pela editora
Annabel é uma mulher fria e calculista, que fugiu do seu passado para a cidade grande e construiu uma vida "segura" e invejada por muitos. Sua intenção era nunca mais olhar para trás, porém um telefonema muda tudo e a obriga a voltar à Borborema, a fazenda de sua família.
Lá, ela terá que enfrentar muito mais do que inicialmente havia imaginado. Conflitos familiares, medos particulares, um assassinato que de alguma forma pode estar relacionado a ela e um homem que promete abalar as estruturas nada firmes de seu ser.
Borborema promete envolver e encantar o leitor da primeira à última página.


“Não sabia o que fazer.
Desde que tinha recebido a notícia da doença de meu pai, não conseguia me sentir em paz. Ficava imaginando o que todos pensariam ao me ver chegando à fazenda, afinal, eles tinham me dado as costas e agora estavam me procurando...”

Annabel é a protagonista do livro Borborema. Fria, calculista e meticulosa ela acaba de ganhar um dos maiores casos de sua vida. Para tanto, ela é viciada em trabalho e não para um só minuto para ter a liberdade de respirar e aproveitar o seu tempo livre. Mas é dessa forma que ela tenta fugir e esquecer os fantasmas do seu passado que ano após ano a perseguem. Tudo que ela mais temia acontece, porque ela recebe uma ligação sobre o seu pai, contando que ele está doente e precisa dela.

Decisões difíceis precisam ser tomadas, mas dessa vez ela não tinha escolha. Annabel pede ao seu chefe alguns dias de folga e viaja para a fazenda onde nasceu e cresceu, Siqueira campos. Cidade interiorana sempre dá o que falar, mas ela sabia que um dia enfrentaria sua família e amigos, mais uma vez. A Fazenda Borborema foi e é o lugar em que sua família mora. Lá, ela é bem recebida por sua mãe e irmãos, bem mais do que esperava.

Annabel sabe que tudo isso não vai afastar os "porquês" que a fizeram ir sozinha e desamparada para a capital. Novas descobertas estão para vir à tona, além disso a dívida que seu pai contraiu com o passar dos anos a preocupa. Todos devem se unir para evitar o pior, e dessa forma, ou quem sabe, amenizar a dívida ou até mesmo a dor.

Por mais que eu quisesse acreditar, não sei se teria um  terço de coragem que a Bel teve para voltar para casa e lembrar de tudo que a fez fugir de lá. Uma vez que ela conseguiu construir todo o seu futuro na capital, ele acaba sendo assombrada pelo passado. Por mais que Anna quisesse ela teria que resolver, mais certo ou mais tarde.

Fui envolvida por todo berço familiar em que a protagonista cresceu. Podemos acompanhar todo o drama na tentativa de saldar a divida do pai, como também compreender o motivos que levaram Annabel a fugir para tão longe. A leitura acontece de forma lenta, pois é o tipo de enredo que faz você entender pouco a pouco a história, e não devorá-lo em uma tarde. Isso é um ponto positivo quando se trata de dramas familiares, pois os detalhes fazem toda a diferença.

Leticia, a autora, tem uma escrita que te puxa para dentro do enredo e te coloca como narrador personagem, porque conseguimos participar de tudo que acontece naquela pequena cidade. Me senti em uma novela das nove, porque há intrigas, choros, risos, alegrias que te convidam a entender os motivos de cada um.

"Fui trabalhar nos dias seguintes, mas a minha cabeça não estava, de fato, no escritório e sim além das montanhas do vale da Borborema..."
Outro ponto intrigante é que as personagens conseguem evoluir, mesmo que de forma lenta e cada uma a seu modo. Vemos que Annabel muda muito ao longo da história, suas mágoas se transformam em outros sentimentos. Será que bons ou ruins? (leiam... kk). Ela resgata a menina que cresceu e nasceu na fazenda, nos fazendo perceber que o aconchego familiar é o remédio para "curar" os nossos medos e sentimentos ruins.

A obra tem romance, mas não apenas ele. Conseguimos compreender que só o amor não supre e nem suga os nossos medos e dores, mas a tomada de escolhas difíceis nos fazem crescer e nos torna alguém melhor, independente, mas que nos mantem emotivos.

Recomendo a obra para os leitores que apreciam um drama familiar. Apesar de não ter lido os livros, mas acompanhado muitas resenhas me pareceu que estava lendo Os bridgertons, da autora Julia Quinn. É um bom livro para se ler em um final de semana nublado com um bom copo de café ao lado.
“A pior prisão é ter o coração fechado.
Meu coração há muito tempo tinha se tornado rude, endurecido por todas as coisas que havia passado, mas eu não me orgulhava disso de maneira alguma.” 

2 comentários:

  1. Olá!
    Quando a resenha é boa, a vontade de ler o livro aumenta. Isso aconteceu com a sua. Fiquei super curiosa e pretendo ler em breve.

    Beijos,
    Ler Antes De Dormir

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  2. Gente... mas que resenha é essa? Arrepiou todo o meu coração aqui! Muito obrigada por descrever dessa forma o que sentiu em ler meu livro. Fiquei mais do que orgulhosa e claro, satisfeita de ter conseguido te transmitir esse sentimento todo.

    De coração, no dia do blogueiro, você fez uma autora feliz <3

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