RESENHA|| A RESPOSTA


Título: A Resposta
Obra Original: The Helper
Autora: Kathryn Stockett
Editora: Bertrand Brasil
Páginas: 573
Ano: 2013


Avaliação: 

Sinopse: Uma história de otimismo ambientada no Mississippi em 1962, durante a gestação do movimento dos direitos civis nos EUA.
Eugenia Skeeter Phelan acabou de se graduar na faculdade e está ansiosa para tornar-se escritora, mas encontra a resistência da mãe, que quer vê-la casada. Porém, o único emprego que consegue é como colunista de dicas domésticas do jornal local. É assim que ela se aproxima de Aibellen, a empregada de uma de suas amigas. Em contanto com ela, Skeeter começa a se lembrar da negra que a criou e, aconselhada a escrever sobre o que a incomoda, tem uma ideia perigosa: escrever um livro em que empregadas domésticas negras relatam o seu relacionamento com patroas brancas. 


O enredo se passa na cidade de Jackson, Mississipi (EUA) na década de de 60. É importante ter conhecimento que o Sul dos Estados Unidos tem uma herança histórica bem complicada, relacionada ao conservadorismo político e social, mesmo com a abolição da escravidão em 1863, ainda era notável uma enorme divisão entre as raças e uma marginalização gritante dos negros. Isso ocorria, principalmente, devido à falta de leis antidiscriminação, nos estados do Sul americano. Muito pelo contrário, havia leis que impunham essa segregação, nos ambientes sociais e cotidianos – chamadas “Leis de Jim Crow” (1876 e 1965). Elas decretavam que deveria haver:

  • Escolas separadas para brancos e negros; 
  • A proibição de casamentos entre uma pessoa branca e negra; 
  • Hospitais específicos para negros e brancos; 
  • Qualquer indivíduo que realizar divulgação, por algum meio de comunicação, de opiniões a favor da igualdade entre negros e brancos, deve ser preso ou pagar uma quantia de no máximo quinhentos mil dólares; 
  • Prisões com divisões de seus ambientes: separados por cor.

O que iremos observar no livro é a antagonista Hilly Holbrook tentando elaborar o “Projeto de Higiene para Empregadas Domésticas”, que consiste basicamente na criação de banheiros especiais e fora da casa para as empregadas, alegando que os brancos poderiam se contaminar com as doenças de gente de cor, já que eles tem doenças diferentes e perigosas demais.

“ Estas mulheres criam nossas crianças brancas. Nós as amamos, elas nos amam. Mas elas não podem sequer usar os banheiros das nossas casas.”

O livro falará de racismo, mas de parâmetro diferente, iremos conhecer a vida de uma empregada doméstica negra em um dos estados mais racistas e conversadores, em um época na qual tentar rever seu direitos lhe levaria a prisão ou morte. A autora nos apresenta 3 personagens principais: duas empregadas domésticas negras e uma jornalista recém formada e branca, por meio do ponto de vista de cada uma, entenderemos mais como se vivia naquela época e os desafios que ambas enfrentam diariamente.

Kathryn Stockett escreve com maestria, chegando a nos emocionar com a jornada dessas três mulheres incríveis e cativantes. A escrita é bem objetiva e clara, e o que achei mais interessante é a predominância da comunicação oral (haverá alguns erros de gramática em vários diálogos e, isso é proposital. pois há no enredo duas personagens principais que são mulheres simples, e que tiveram que largar a escola para trabalhar e sustentar a casa).

Então, se ficou interessado em ler, prepare-se para uma história emocionante e bastante divertida também!


Há três mulheres na cidade de Jackson, que juntas irão começar uma revolução de dentro para fora: primeiro dentro de si, depois na região onda moram. A primeira a aparecer é Aibileen, uma sábia empregada negra que perdeu seu filho Leroy depois de um acidente causado pelo um homem branco.


“Fiquei surpresa quando vi que a vida do meu filho tinha parado, mas o mundo não.
Mas não demorou pra eu ver que uma coisa em mim tinha mudado. E eu não me sentia mais tão mansa.” p.9

Desde então, ela consegue superar um pouco a morte do filho dando amor e carinho aos filhos das suas patroas brancas. Mãe Mobley que é totalmente negligenciada pela mãe , Dona Leefolt, que só pensa nela mesmo e no que os outros irão pensar dela. Por essa razão, Aibileen tenta ensinar a menina que é bom nutrir sentimentos sem restrição de raça.

“Quero gritar alto pra Nenezinha que sujo não é uma cor, que doença não é a parte negra da cidade. Quero não deixar chegar aquele momento – que chega na vida de qualquer criança branca -, quando elas começam a pensar que pessoas de cor não são tão boas quanto as pessoas brancas.” p.129

Um dos momentos mais emocionantes, é quando Aibileen tenta fazer a Mãe Mobley perceber que ela é uma menina especial e importante sempre repetindo: “cê é esperta, cê é gentil, cê é importante”, quando ela está triste ou chateada.

    ( cê é esperta, cê é gentil, cê é importante - Tradução livre)

A segunda personagem principal é Minny Jackson, a melhor amiga da Aibileen,  uma mulher negra que é casada com o Leroy e tem 5 filhos. Minny é extrovertida, ótima na cozinha, trabalhadora e honesta, mas ela não tem "papas na língua", e por conta disso já perdeu vários empregos, por essa razão ela acaba apanhando com freqüência do marido bêbado.

“Voltei para casa aquela manhã, depois de ter sido despedida, e fiquei parada do lado de fora de casa, usando meus sapatos novos de trabalho. Os sapatos pelos quais minha mãe tinha pago o valor de um mês de conta de luz. Acho que foi só o que entendi que era vergonha, e também a cor da vergonha. Vergonha não é escura, como pó, como eu sempre pensei que fosse. A vergonha é da cor do seu uniforme branco novo em folha que sua mãe pagou com o suor de noites a fio passando roupas pra fora, branco sem nenhuma mancha de sujeira deixada pelo trabalho.” p.198
   
O fato de não conseguir arrumar um emprego devido “a coisa terrivelmente horrível” que fez com a dona Hilly Holbrook, que se vingou dela espalhando para toda cidade que Minny era uma ladra e agora ninguém mais quer contratá-la.

(Eu tenho mais o que fazer, então vão todas cuidar das suas vidas - Tradução Livre)

Então, ela descobre dona Célia Foote, a esposa do ex namorada da Hilly, a única mulher na cidade que não sabe as mentiras da vingativa ex patroa. Dona Célia, aparenta ser uma ótima patroa,mas está esconde algo da Minny que está tirando seus nervos.


“Trinta e seis anos e ainda ouço a minha mãe me dizendo: 'Não se meta onde não é chamada'. Mas eu preciso saber do que essa mulher tem tanto medo fora daqui.”p.66

A última personagem principal é Skeeter, uma jovem de 23 anos, recém formada em jornalismo que tem um sonho de escrever um livro e se tornar uma jornalista de sucesso. Por outro lado, Skeeter não é como suas amigas Hilly Holbrook e Sra. Leefolt : “ela não está casada e não tem filhos!”, entretanto essa não é a única diferença entre elas: Skeeter não é a garota mais bela da cidade, mas é uma garota a frente do seu tempo, não é preconceituosa e tenta não se chocar quando as suas amigas fazem algum comentário maldoso sobre gente de cor. Ela fica feliz porque conseguiu um emprego no jornal de Jackson para ser a colunista: dona Myrna, o problema é que é uma coluna sobre afazeres de casa e ela não entende nada sobre isto e. sua empregada desaparece sem nem se despedir, e ela resolve falar com Aibileen para ajudá-la a escrever para a coluna.

Algo inevitável acontece, começa a nascer uma amizade discreta entre a Skeeter e a Aibileen, e depois de uma conversa com a empregada, ela resolve que já escolheu o tema do seu livro que tanto sonha em escrever: Um livro sobre como é a vida das empregadas domésticas negras, o que elas fazem, como é o relacionamento com a patroa branca, quanto ganha e tudo mais, no entanto,  é algo totalmente arriscado de se fazer em Jackson, Mississípi! Determinada pela sua ideia, ela resolve convidar Aibileen para aj-la a escrever o livro. Mas será que Aibileen irá aceitar, somado a todos os riscos que ela pode enfrentar? 

E quando Minny Jackson descobre o que a melhor amiga está querendo “aprontar” alguma coisa com a dona Skeeter, tenta aconselhá-la a não aceitar a ideia, mas a vida dessas três mulheres acabam sendo unidas por uma força maior, por algo que está engasgado a muito tempo e precisa ser engolido.

                                                 “A Bondade não conhece, limites.”

O FILME: História Cruzadas

Histórias Cruzadas foi uma das maiores surpresas nas bilheterias em 2011. Orçado em US$ 25 milhões, o longa estreou na segunda colocação, no top 10 norte-americano, perdendo por muito pouco para Planeta dos Macacos - A Origem, mas logo assumiu o topo da lista e permaneceu lá por quatro semanas.
E não podemos esquecer que a nossa querida Octavia Spencer (atriz que interpreta Minny Jackson) foi a ganhadora do Oscar de atriz coadjuvante em 2012!

( Octavia Spencer)


                                                                     
Eu confesso que assisti primeiro ao filme, e só depois descobri que ele era uma adaptação do livro The Help ( A Resposta) e, mesmo sem ter lido o livro antes, o filme me cativou de todas as formas. E depois de ler a obra também, tenho cacife pra falar que o filme é bem fiel ao livro e não perdeu de forma alguma essência da história. Dessa forma, não é um filme cansativo ou parado demais, pois a atmosfera da produção é ao mesmo tempo divertida, chocante e emocionante.
Seja lendo a obra ou assistindo ao filme, não deixe de conhecer essa estória tão linda e tocante. E, prepare-se para boas risadas e deixe os lencinhos próximos!




8 comentários:

  1. Oie Priscila
    Confesso: já vi o filme (adorei!!), mas não sabia que tinha o livro. E se o filme já foi maravilhoso tenho certeza q o livro vai me conquistar tb.
    Adorei o post e fiquei muito feliz de saber q tem o livro dessa história belíssima. Já vou procurar!!
    Bjo

    ResponderExcluir
  2. Olá!
    Nossa esse filme! É muito bom, eu chorei horrores, ri horrores, e deixou minha vida marcada. É muito forte a história e acredito que o livro seja ainda melhor, lendo essa sua resenha fiquei louco para lê-lo. Preciso colocar ele na minha lista de 2017.

    Abraços

    ResponderExcluir
  3. Olá Pri,
    Vem aqui me dar um abraço, pois você é uma das poucas pessoas que já vi que leram esse livro tão incrível. Achei a construção dessa obra fascinante. Os personagens me marcaram e a forma como a Aibileen trata a filha da patroa dela me encantou, pois ela sempre foi muito mais mãe do que a própria mãe e esse gif partiu meu coração.
    A Minny também foi uma personagem marcante que deu um ar de cômico em algumas situações e achei muito bem merecido o que ela fez!
    Também assisti ao filme para só, então, descobrir o livro e foi fascinante. Estou louca para assistir o filme novamente.
    Beijos

    ResponderExcluir
  4. Olá Pri, parabéns pela resenha...adorei! Confesso que essa foi a primeira que vi sobre a obra, eu ainda não tive a oportunidade de ler, mas assisti a adaptação e gostei bastante, kkk
    Fiquei curiosa para saber se o incidente da torta também está no livro, ou foi inventado apenas para o cinema...kkkk

    Abraços

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá Raquel!

      Fico muito feliz que tenha gostado e sim o incidente da torta tem no livro também...kkkk,mas confesso que na adaptação cinematográfica ficou bem mais hilário!

      Beijos!

      Excluir
  5. Oi Pri! Iria começar esse livro hoje quando dei de cara com a sua resenha. Primeiro fiquei sabendo do filme e depois do livro , mas optei por não assistir até terminar o livro. Acabei prolongando muito e só agora tomei coragem para começar. Vi muitas críticas positivas (incluído as sua) então estou muito animada e acho que vou gostar. Abraços!

    ResponderExcluir
  6. oie. uau, fiquei com muita vontade de ler esse livro. nunca tinha ouvido falar nele mas parece uma história densa, marcante, daquelas cheias de lições. gostei de mostrar essa diferença racial tão gritante no passado nos estados unidos.. incluindo imediatamente na futura lista de leituras.

    ResponderExcluir
  7. Olá!
    Eu sempre tive vontade de assistir esse esse filme, mas eu nunca lembrava o nome, agora vou anotar e outra, eu nao sabia que era uma adaptação desse livro. A historia arece ser muito marcante e emocionante, digno de um oscar para a atriz do do filme e é ótimo saber que a adaptação é fiel ao livro, isso é um pouco raro raro ultimamente hahahaha.
    Beijos,
    Nay
    Traveling Be

    ResponderExcluir

® Faces em Livros | Layout por A Design - Ilustração por Graciele Paiva