Entre livros & Filmes|| Cinema ou literatura?





Quem nunca se decepcionou ao assistir uma adaptação fílmica de um livro que julgou ser extraordinário, mas que para nós fãs e com altas expectativas, o filme deixou muito a desejar ou como costumamos dizer: “O livro é muito melhor que o filme!” ou “O filme é ruim por que não tem nada haver com o livro” ou o “O filme não mostrou a minha cena favorita”.

Parece que criticar o filme é mais fácil do que realmente procurar entender o que vem por trás dela, será que o diretor quis ser fiel ao livro? Há como transportar todos os diálogos, descrições do livro que tanto julgamos ser indispensáveis? Portanto convido-lhes a ler essa postagem com o intuito de quebrar essa barreira entre os leitores e as adaptações fílmicas.

Segundo André Bazin (2005), devemos ter consciência que o cinema é jovem e a literatura é tão velha quanto à história. Se compararmos o cinema com a educação de uma criança sabe que ela se faz por imitação dos adultos que a rodeiam, portanto, podemos dizer que o cinema foi necessariamente inflectido pelo exemplo de várias artes consagradas, especialmente a literatura.

Portanto, podemos dizer que a linguagem cinematográfica e a linguagem literária possuem circunstâncias distintas e divergentes. Ao passar a obra original para um filme será necessário preencher o intervalo existente entre essas duas linguagens. Vale salientar que transmitir a mesma mensagem a partir de diferentes sistemas de comunicação é quase inevitável que não ocorra mudanças.

Quando pensamos em um livro logo lembramos que ele é composto por palavras, diálogos, descrições e narrações. Há um público alvo, pessoas que gostam de ler e que tem suas singularidades na hora de interpretar um livro, diferentemente da literatura, a sétima arte é composta por imagens, sons e movimentos. Se pararmos para pensar uma arte completa a outra, é como se o que falta na literatura pode ser encontrado no cinema e vice versa, e nós como leitores devemos ultrapassar essa barreira que nos impõe a julgar as adaptações. Antes disso, vamos ter que considerar qual o público alvo e em qual época que a adaptação foi dirigida.


Um bom exemplo de filmes adaptados do mesmo livro em diferentes épocas e com diferentes públicos são Drácula do diretor Francis Ford Coppola (1992) e, um dos primeiros clássicos do horror, o filme como o mesmo nome dirigido por Tod Browning (1931), ambos são adaptações do livro Drácula do escritor Bram Stoker, porém são adaptações com diversas diferenças.





O Drácula de Tod Browning (1931) foi um dos primeiros precursores de filmes de vampiros na história do cinema. O filme foi uma adaptação de uma peça de teatro escrita por Hamilton Deane que, por sua vez, era uma adaptação do livro de Bram Stoker para o palco. Essa trama também é mais simplificada, com a eliminação de alguns personagens e um arranjo diferente de outros. A essência desse filme é mostrar o destemido e assustador Drácula, não se refere a algum romance ou erotismo. E vale salientar que tanto nessa adaptação cinematográfica como no livro o Drácula não tem romance com nenhum personagem à parte. No livro o único desejo dele por Mina Harker é para se vingar de seu noivo John, que no filme, não é seu noivo e sim seu irmão.




O famoso Drácula de Francis Coppola (1992) já mostrou ser mais desinibido e com uma nova versão da estória, nesse filme é criada uma relação entre Drácula e Mina, alegando que ela é a reencarnação da sua noiva que cometeu suicídio. A adaptação nos mostra que depois do suicídio de sua amada, Drácula renega a igreja e se torna o primeiro vampiro, um ser imortal, movido pelo ódio e vingança até reencontrar seu antigo amor reencarnado. É possível  perceber que ela ao mostrar o casal em cenas de amor e erotismo cria uma atmosfera ainda mais tentadora e intensa ao filme. E, também, cria um apelo maior com o público, trazendo à tona uma simpatia pelo vilão da estória. 

Por fim, podemos notar que o termo de fidelidade e adaptação cinematográfica não precisam necessariamente andar sempre juntas, e modificar a estória pode torná-la tão interessante quanto à estória do livro. Então, qual é o que leva a melhor? Não tem como ter uma resposta concreta. Cada um tem suas interpretações, gostos e preferências, o livro não é melhor que o filme, e nem o filme é melhor que o livro, ambos podem contar a mesma estória com pontos de vistas divergentes e mesmo assim ambas podem ser um deleite para nós tanto como leitores ou telespectadores. 

E que prevaleça a tolerância e a diversidade para que literatura e cinema andem juntos cada vez mais, nos mostrando o que há de mais fascinante e apaixonante em ambas.





 


5 comentários:

  1. Oi Pri, na verdade esse tema é bastante polêmico e ao mesmo tempo interessante ne? Tanto que é meu tema do TCC a diferença entre adaptação e tradução intersemiótica. Na verdade ao adaptar uma obra o adaptador tem total liberdade sobre ela é por isso que na maioria dos casos não há uma "fidelidade" a obra original. É um novo texto, um novo meio de comunicação, novo publico alvo e por vezes essa adaptação é necessária. o problema é fazer com que nós leitores concordemos com isso né? Amei a postagem. Parabéns!!!

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    1. É o tema do meu também Faby, e eu sou completamente apaixonada por Teoria da adaptação e intersemiótica. Para mim é uma delícia está falando sobre isso!

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  2. Uau que interessante esse post, realmente o leitor acaba julgando muito os filmes que são feitos aparti de historias, mas como falou acima: livros são compostos de diálogos e descrições e os filmes de cenas e movimentos, não tem como ser igual e nem tem como em 2 horas o filme mostrar tudo de um livro de 300 ou mais paginas.
    Gostei muito da frase: Se pararmos para pensar uma arte completa a outra, é como se o que falta na literatura pode ser encontrado no cinema e vice versa. Não tem que ser uma melhor que outra, tem que ser complementar. Demais!
    Tento sempre entender essas mudanças que ocorrem dos livros para os filmes e sempre entendo, mas tenho que admitir que até hoje não me conformei com aquele filme Noé rsrs (tipo, não mudaram uma coisa, duas ou três, fizeram outra historia e disseram que era o filme de Nóe rsrs)
    Beijos e Parabéns pelo post lindo, seguindo *-*

    www.caminhadacrista.com

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    1. Fico feliz que tenha gostado Heliza *.*
      Nenhum adaptação necessariamente precisa ser fiel ao romance,mas temos que concordar que há alguns diretores que mexem demais na estória ou simplesmente não há um roteiro legal e acaba ficando uma adaptação fílmica de péssima qualidade! Noé eu nunca assiste, mas entendo perfeitamente o que quer dizer.

      Beijos gatona :)

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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